Segunda-feira, 25 de Maio de 2026
Ricardo Almeida
Ricardo Almeida
Professor e Empreendedor Social

“Não faças aos outros, o que não gostarias que te fizessem a ti!”

O rescaldo de um desastre eleitoral é sempre um momento angustiante e pouco racional.

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Primeiramente, a revolta sugere-nos uma procura incessante de respostas e de responsáveis, tornando-se durante algumas horas numa espécie de nova normalidade mental. Posteriormente, vamos abandonando algumas certezas, que antes eram inabaláveis, o que nos obriga a caminhar sobre o chão desconhecido de novas teorias e resultados. Em seguida, vem a desmistificação do candidato, que supúnhamos invencível, mas agora há o “mas” que desconstroi a imagem do homem político que julgávamos imbatível, porque já não nos lembramos que ele também já perdeu. Este é o momento ideal sobre o qual, voar no nosso espírito crítico, na nossa liberdade de pensamento e no conhecimento amplia a lucidez sobre a realidade e se torna na bússola que orienta as nossas convicções.

O resultado eleitoral do Partido Socialista (PS) foi uma hecatombe, a todos os níveis, nacional e distrital. Em política, a derrota é cruel, deve ser encarada e assumida com responsabilidade, a mesma que deve ancorar as ilações que são óbvias e obrigatórias, Pedro Nuno Santos soube fazer essa interpretação. O PS terá agora um momento muito difícil e complexo no novo quadro político, José Luís Carneiro será o homem que se segue, e estou confiante que será a pessoa certa para reganhar a confiança dos portugueses e reposicionar o partido no lugar de onde nunca deveria ter saído. O percurso levará o seu tempo e paciência, saibamos agora fazer um trabalho de reconstrução política e corrigir alguns erros, pois a ponderação explicar-nos-á, que nem tudo está mal, mas muito tem de mudar!

No distrito, Rui Santos perdeu em toda a linha, o resultado no concelho de Vila Real é o sinal, inequívoco, que em todo este processo também foram cometidos erros, Ana Paula Martins “nem sequer é vila-realense”! O PS está a perder eleitorado, independentemente da idade, do género ou da escolaridade, e isto deveria obrigar os seus dirigentes e militantes a uma reflexão profunda, a projeção do partido a 10 anos é assustadora. Mas o tempo é escasso, as eleições autárquicas serão as próximas contendas que tornam urgente a União do PS em torno dos seus candidatos e dos seus projetos, onde a perspetiva é bem mais positiva e os resultados expectáveis poderão dar alguma tranquilidade e esperança ao futuro do partido.

Por outro lado, questiono-me, o que aconteceria se o destino tivesse sido diferente e fosse eu a protagonizar este resultado, o que aconteceria? “Não faças aos outros, o que não gostarias que te fizessem a ti”. Como diz um grande amigo meu: “existem tempos para divergir e outros para convergir”. Tenho mais de 20 anos de política para saber o caminho que quero seguir…venha o futuro!

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