O outro, pessoa mais ou menos distante, mais ou menos querida, mais ou menos importante, mas, ainda assim, fundamental para descobrir parte de quem sou e de quem quero ser. Relacionar-se pressupõe, primeiramente, aprender a fazê-lo. Encarregam-se de nos ensinar aqueles com quem também aprendemos a falar, a andar e, entre tarefas, a descobrir o mundo. Ao crescer, a aprendizagem continua e, se tivermos sorte, entendemos que únicos e especiais só somos para quem nos ama. Ainda bem… Ao longo da vida, entre chegadas e partidas, as relações tornam-se espaços de encontro em que pessoas diferentes ajustam limites e necessidades, mostram parte de si, conhecem parte de si e oferecem o seu tempo ao outro. Nesse encontro, a identificação é um processo chave, mas, quando mal ajustado, pode implicar a perda de identidade individual e a dissolução de si. A proximidade não é construída através da fusão. Quando a identidade não se encontra bem consolidada e diferenciada, uma relação pode ser vista como uma ameaça ou, em circunstâncias de maior dependência, como uma extensão de si próprio. Uma relação segura promove a individualidade, a exploração e a autonomia, garantindo a possibilidade de permanecer em vínculo sem abdicar de si. A insegurança é uma ameaça. A relação constrói-se não pela identificação total, mas pela capacidade de reconhecer o outro sem deixar de ser quem se é, estando emocionalmente presente sem se anular.
A quem me lê: Ninguém se encontra no outro.
Podemos aprender mais, viver mais e sentir mais com o outro. Mas, ninguém é no outro. Primordial é viver a própria vida e sentir aquilo que é seu. Porque, ninguém se encontra no outro. Dar os seus passos. Construir. Perseguir sonhos. Enquanto uns podem ficar, outros podem partir. Tu ficas. Contigo. Encontra-te em ti.





