Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O ano das vacinas

Este tempo que já levamos de pandemia, quase dois anos, permite-nos fazer alguns juízos de valor sobre a forma como as autoridades de saúde, o poder político e até a própria comunicação social, se têm comportado perante as exigências das suas funções.

-PUB-

Uma breve reflexão ajuda-nos a perceber os aproveitamentos que uns e outros têm feito desta desconhecida doença, provocada por um vírus do qual, ainda não se conhece bem a origem, — será que algum dia a vamos conhecer?

As primeiras notícias vieram de China (Wuhan), mas sem a suspeita de que se trataria de uma doença com tamanha gravidade e com tal velocidade de propagação. Recordamos que em Portugal foi a morte de uma pessoa, recém-regressada de uma feira em Milão, que despertou a atenção dos cientistas e dos meios de comunicação, sem lhes conceder a relevância que o assunto mereceria. Ninguém conjeturou que o vírus iria propagar-se tão rapidamente e com tão graves consequências. Foram as imagens que chegaram do Brasil, que associadas ao número de mortos, causaram espanto e estupefação. Um quadro calamitoso, onde víamos os corpos a serem despejados praticamente em valas comuns, tratados sem o mínimo de dignidade.

No nosso país o vírus foi-se propagando de tal forma que, em menos de seis meses tomou conta do nosso Serviço de Saúde. Todos recordam as filas de ambulâncias às portas dos hospitais, em imagens que as televisões faziam chegar a nossas casas. O cidadão, sem uma informação credível do Serviço Nacional de Saúde, ia pedindo a Deus que tal flagelo não chegasse à sua cidade. O mês de março (Páscoa incluída), em que o país esteve confinado, ficou na nossa memória como dos piores momentos da nossa vida coletiva.

As autoridades de saúde, percebia-se, não atinavam com uma solução credível. Até que apareceu a vacina, que deveria ser administrada com a brevidade possível. Alguém se lembrou de encarregar um militar para coordenar a tarefa, que teve o êxito que hoje se lhe reconhece, bem se podendo suspeitar que, se esta tarefa tivesse continuado apenas nas mãos do SNS ainda agora estaríamos à espera das decisões da senhora diretora-geral.
O país deve à Task Force, comandada pelo agora Almirante Henrique Gouveia e Melo, o êxito desta operação sanitária, que tantas vidas ajudou a salvar. Tratou-se, efetivamente, de uma “Guerra” no Serviço de Saúde, que foi ganha por uma equipa militar. As guerras, todos o sabem, devem ser enfrentadas por quem tenha capacidade e preparação para isso. Bem se pode afirmar que 2021 foi o Ano da Vacina. Como será o Novo Ano?

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.