O Concílio de Niceia

Celebramos este ano 1700 anos do Concílio de Niceia, primeiro Concílio ecuménico da história da Igreja, ainda hoje aceite pelas grandes confissões cristãs.

Foi um Concílio de uma importância singular na história da Igreja. Realizou-se no ano de 325 d.C, de maio a agosto, num dos palácios imperiais da atual Iznik, naquele tempo Niceia, a sul de Istambul, na parte asiática da Turquia. Foi convocado pelo imperador romano Constantino, o imperador que concedeu a liberdade de culto aos cristãos, depois de três séculos de perseguições ferinas do Império romano.

Uma grave heresia ameaçava a unidade, a fé e a doutrina da Igreja: o arianismo. Promovida por Ário, um padre de Alexandria, Egito, negava a divindade de Jesus Cristo. Postulava que Jesus Cristo era a mais bela criação de Deus, uma criatura excecional, por quem Deus tinha uma predileção única, acima dos homens, mas não era da mesma natureza e da mesma substância de Deus Pai. Portanto, Jesus não era filho de Deus, não era Deus, pondo-se assim em causa a doutrina trinitária da Igreja. A querela teológica começou a ter alguma dimensão, com alguns tumultos em Alexandria e noutras cidades orientais do Império. A virose ariana entranhava-se na Igreja e ameaçava a sua unidade.

Constantino convoca o Concílio para sanar a questão e preservar a unidade da Igreja. Terão participado cerca de 300 bispos. O Concílio define doutrinalmente que Jesus Cristo era Filho de Deus, igual a Deus Pai, em substância e natureza, rebatendo e condenando assim a doutrina ariana, que passou a ser considerada uma heresia. Fruto da reflexão conciliar, é promulgado o Credo, o conjunto das verdades fundamentais da fé cristã, que será completado com o Concílio de Constantinopla que se realizará em 381, em Constantinopla, atual Istambul, Turquia, credo que ainda hoje persiste e professamos aos domingos e nas solenidades cristãs. O Concílio ainda estabeleceu a data da Páscoa e tomou algumas decisões sobre questões menores da vida da Igreja.

Sobre este Concílio, difundiram-se duas ideias erradas: primeiro, que o Cristianismo nasceu com o Concílio de Niceia. Não é correto afirmar isso. O Cristianismo já estava consolidado antes do Concílio, com bispos, dioceses, escritos e teólogos. Por outro lado, alguns defendem que foi Constantino que fundou o Cristianismo. Também não tem sentido, sobretudo porque Constantino apostava numa expansão oriental do Império e até teria alguma simpatia por Ário. Mas o Concílio superou o arianismo.

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