Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Inferno

Estamos no mês de novembro, mês das almas. Não poderemos deixar de pensar na caducidade da vida, na morte e do para além da morte. 

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Em tempos, o inferno ganhou uma pertinência no ensino, na literatura e na religiosidade popular da Igreja que não se justifica, promovendo uma certa «pastoral do medo» e não do amor. O magistério e os teólogos da Igreja, habitualmente, mencionam o tema com moderação e prudência. O Concílio Vaticano II esteve para não abordar o tema, mas, devido à persistência de alguns intervenientes, dedicou-lhe uma pequena referência. O cristianismo é a religião do amor e da salvação, é a boa nova da libertação, é graça, esperança, alegria e paz para toda a pessoa humana. A mensagem fundamental do Cristianismo é que Deus, em Jesus Cristo, é um Deus que estende a mão ao ser humano para o amar e o salvar. E Deus quer sempre amar e salvar o homem e nunca condenar. Criou o homem por amor e para o amor, oferecendo a plenitude da sua vida e do seu amor a toda a pessoa humana. Não há outra mensagem no Cristianismo.

Para se entender bem o inferno é preciso situá-lo num contexto de salvação e de risco da liberdade humana. Não se pode falar de céu e de inferno ao mesmo nível, como se fossem dois destinos opostos que Deus tenha criado para o ser humano. Deus compromete-se com o céu, mas não com o inferno, que não faz parte da nossa esperança. Deus oferece-nos a salvação e apresenta-nos o caminho da vida, mas não impõe isso ao homem. Respeita a sua liberdade. O homem pode aceitar ou rejeitar. A partir do momento em que o homem resiste, na sua liberdade, à proposta de vida de Deus, o próprio homem escolhe o inferno e cria o inferno para si mesmo.

Deus não criou nem quer o inferno para ninguém, Deus quer sempre salvar, mas se o homem, com grande risco para o seu destino final, escolhe outro caminho, Deus deixa seguir esse caminho. O ensinamento sobre o inferno é para nos lembrar a grandeza da nossa liberdade e da nossa responsabilidade e o risco do mau uso da nossa liberdade. Na vida não vale tudo. Conforme as escolhas que fizermos livremente, assim vamos ter as consequências, que poderão ser desastrosas, por responsabilidade nossa, culminando num possível «inferno», separação eterna de Deus e dos salvos em Cristo. 

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