Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Islão e a Escravatura

Resolvi trazer esta temática à colação na sequência de um livro intitulado Genocídio Ocultado da autoria do antropólogo franco-senegalês Tidiane N´Diaye que, após um trabalho aturado de investigação, concluiu que a história da escravatura islâmica é a maior da história da humanidade. 

O Islão foi exportado para África pelos árabes e com ele veio a escravidão. Quem se recusasse a aderir ao Islão era deportado para o mundo islâmico. Calcula-se que 17 milhões de africanos sofreram esse destino cruel. Durante mais de 13 séculos fez muito mais vítimas do que a escravidão para a América – atribuída aos europeus, que durou quatro séculos – sendo que a maioria dos escravos era castrada para a impedir de ter filhos. O tráfico de escravos praticado pelos seguidores do Islão tinha como destino não só o mundo árabe, como também a Turquia, a Pérsia e a Índia, ou então eram levados para o Norte de África, através do Saara, em viagens penosas que provocavam a morte de muitos deles. O destino que lhes estava reservado era o trabalho escravo nas plantações, na mineração, como domésticos ou guardas do harém. 

Segundo este intelectual, o Alcorão nunca proibiu a escravatura, pelo contrário. Muitas passagens do livro sagrado do Islão incentivam-na para os não muçulmanos. 

Enquanto na Europa Iluminista a escravidão era abominável, nunca houve um intelectual árabe que tenha advogado a causados negros. No Sudão, por exemplo, os árabes clamavam por uma Jihad (guerra santa), contra os negros. Um dos grandes centros de escravatura mundial foi a ilha de Zanzibar, onde ainda em 1920 era possível ver escravos a trabalhar nas plantações.

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Há uma grande solidariedade, uma espécie de pacto de silêncio entre Africanos e Árabes, em abordar este período da História. Preferem realçar e diabolizar os atos execrandos daqueles que, já se sabe, serem culpados: Europeus e Americanos. 

Tidiane N´Diaye recusa-se a omitir essa página negra da História da Humanidade, quer como intelectual, neto de um rei senegalês ou muçulmano. Se na ilha senegalesa de Gory a escravidão europeia é assinalada, foi daqui que milhares de negros embarcaram para a América, também a brutal escravatura islâmica devia ser alvo de um Memorial, por se tratar de um autêntico genocídio. 

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