Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
Benjamim Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros

O paradigma das zonas fronteiriças

Historicamente as zonas de fronteira mundiais foram as que mais cresceram demograficamente e as que conheceram um florescimento económico notável! Pelas trocas comerciais, intercâmbio cultural e cruzamentos étnicos!

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O paradigma nacional foge a esta lógica. Pela geografia única e invulgar da Península Ibérica, pela defesa da soberania, pela aridez e rudeza da região.

A propósito de descentralização governativa e do Conselho de Ministros: o que foi anunciado “de novo” para revitalizar o Interior?

Recordo-me, há 20 anos, quando algo similar foi anunciado e teve algum efeito na atração de quadros, nomeadamente especialistas médicos, com promessas de incentivos para o arrendamento, subsídios temporários e até numerus clausus específicos para os filhos!

Foram postos em prática? Não! Rapidamente perceberam estes quadros que as expectativas seriam defraudadas e grande parte voltou às origens. Alguns ficaram e ajudaram a garantir melhores serviços e qualidade assistencial nos territórios periféricos e esquecidos. Alguns!

Há iniciativas louváveis como o Med on Tour, que traz ao Interior grupos de alunos de Medicina para fazer rastreios, contactar com os autóctones e conhecer o pitoresco do país. Talvez assim comecemos a acreditar que o Interior pode reunir atrativos, os políticos criem incentivos, honrem os compromissos e os resilientes que teimosamente vão ficando comecem a acreditar que podem viver numa terra única abençoada!

Os muitos recursos altamente qualificados que desenvolveram atividades fora de portas, por uma questão de oportunidades, acabaram por esquecer as suas origens! O ensino foi e será o grande motor do desenvolvimento das urbes europeias que floresceram. E este tem de estar altamente comprometido com as forças vivas do território e senti-lo como seu!

Capitalizar o conhecimento adquirido extraportas só poderá conseguir-se através de excecionais incentivos e terá de coexistir esse sentimento telúrico inexplicável, que só pode vir do nosso âmago!

Por isso defendo a regionalização. O poder da decisão tem de estar sediado na região. Só assim poderemos criar incentivos e atrativos, porque só nós poderemos decidir o caminho do progresso que queremos e escolher onde investir a riqueza que produzimos e os fundos comunitários que a Europa nos atribui!

Eu voltei ao chamamento telúrico!

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