Segundo as pomposas justificações a que nos vamos acostumando, a reunião realizou-se no âmbito do PROVERE Douro 2030 e teve como mote reforçar a cooperação entre regiões com desafios semelhantes e representação comum junto das instituições da União Europeia.
Perante a demonstrada ausência de noção dos nossos representantes e antes de endereçar palpites sobre o que deviam ter feito, importa analisar o que fizeram, questionando qual o motivo para tal encontro, quanto custou e a quem se comprou.
Num período em que cada vez mais o digital se vem consubstanciando no nosso quotidiano, cumpre avaliar se a reunião presencial em território açoriano e os proveitos que dela se retiraram são proporcionais à despesa gerada ou se, através de uma das diversas plataformas de vídeo conferência se tinha chegado a semelhantes conclusões.
Ainda que por qualquer razão se mostrasse imprescindível a presença de elementos da CIM Douro em Ponte Delgada, seria indispensável a comparência dos 19? Certamente existiram alguns que, na reunião em apreço, entraram mudos e saíram calados.
É também importante perceber quais os custos associados ao encontro. Em conformidade com a informação disponibilizada em portal Base.gov, o “reforçar da cooperação entre regiões com desafios semelhantes e representação comum junto das instituições da União Europeia” custou à CIMDouro – e, por consequência, ao erário público – um total de €35.196,00, correspondente a €1.852,42 por autarca.
A temática atenuava se a empresa que tivesse vendido os mais de €35.000,00 pertencesse ao Douro, mas não. É Lisboeta. Em menos de um ano, a agência de viagêns Lisboeta celebrou 4 contratos com a nossa CIM, nos montantes somados de €196.243,44, que melhor se discriminam: consulta prévia simplificada – €35.196,00; ajuste direto – €13.835,44; concurso público – €75.000,00; concurso público urgente (com prazo de propostas de 1 dia) – €72.212,00.
Em julho de 2024 escrevia no Observador um texto com o título: “CIM Douro: O desafio da Central de Compras”, por intermédio do qual peticionava – e continuo crente na ideia – aos competentes dirigentes, pela promoção de central de compras públicas, através da qual se fomentasse o tráfego de aquisições públicas entre as entidades e as empresas sediadas no nosso território, expectante pelo impacto que tal medida exercesse na economia local e nas nossas empresas.
Esta semana entendi que estava a pedir demasiado aos responsáveis da CIM. Se estes não sabem que existem agências de viagens no Douro, como é que saberiam o que é uma central de compras?



