Quinta-feira, 25 de Abril de 2024
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“Precisamos de uma voz mais ativa para combater a desertificação”

Entrevista à cabeça de lista do LIVRE | Mila Abreu | professora universitária | 64 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?
O crescente abandono do território por parte das pessoas, mas também das próprias autoridades, está na origem de uma série de problemas que acabam por ter consequências a todos os níveis – da agricultura à saúde, da educação à economia. A tão falada descentralização parece ter tido até agora efeito contrário, o distrito está cada vez mais periférico e o peso da diferença entre litoral e interior sente-se a todos os níveis. É, pois, necessário ter uma voz mais ativa a nível nacional e combater a desertificação com políticas próprias e específicas para a nossa zona.

O setor da saúde atravessa uma fase conturbada. Na região, o que poderá ser feito para ultrapassar esses desafios?
Para além de aspetos conhecidos a nível nacionais ligados, por exemplo, à valorização da carreira de médicos, enfermeiros e outro pessoal técnico hospitalar e a fatores ligados à remuneração/horários, que exigem o reforçar e reorganizar o Serviço Nacional de Saúde, o interior tem, sem dúvida, problemas específicos. A região está a ficar progressivamente com uma população, mais velha, isolada e em número menor. O que tem consequências óbvias, necessidade de mais cuidados, mais frequentes, mais específicos tudo isto num território disperso e por vezes de difícil acesso. Não será possível ter um hospital com todas as especialidades e equipamentos em todas as cidades ou vilas do distrito, assim é necessário reorganizar estruturas, os equipamentos e as equipes e planificar melhor os meios de transporte de emergência como por exemplo os helicópteros. Ampliar serviços de proximidade em especial no que diz respeito à prevenção. O LIVRE quer assim reforçar e reorganizar o Serviço Nacional de Saúde e promover a saúde e prevenir a doença e investir na saúde mental.

Quanto à ferrovia. Qual a melhor solução?
O LIVRE deseja garantir a realização do que está escrito no Plano Ferroviário Nacional ou seja que todas as capitais de distrito estejam ligadas por ferrovia e que seja assegurada uma oferta de qualidade e frequência. Ora, tanto Vila Real como Bragança estão ainda atualmente fora da rede ferroviária. Para passar do papel à realidade deve, no entanto, tal projeto ser promovido, repensado e articulado com Espanha numa visão de estratégia ferroviária ibérica. A eletrificação da rede ferroviária nacional deve ser concluída rapidamente. A reabertura da linha do Corgo deve passar a ser uma prioridade, tendo em conta o seu potencial turístico, mas também como uma real alternativa de transporte de pessoas e de mercadorias. Nesta ótica, deve-se parar com a transformação de troços da linha em ciclovias e garantir que as antigas estações e apeadeiros não sejam demolidos ou abandonados à destruição.

Relativamente aos impostos das barragens, qual a vossa posição?
A nossa posição é simples e a de sempre, a Autoridade Tributária deve cobrar IMI sobre as barragens, e de forma retroativa. Mas a propósito de barragens o LIVRE pretende cessar os incentivos às fontes de energia com elevado impacto na biodiversidade, cancelando a atribuição de subsídios à construção de novas barragens ou infraestruturas associadas e pretende identificar e remover todas as barragens, açudes, obstáculos e barreiras inativos ou obsoletos.

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. Que medidas defendem para combater este flagelo?
Criar condições para fixar as pessoas pode passar por coisas tão simples como ter uma rede móvel que cobre verdadeiramente todo o território e que esta seja rápida e estável.
Como acabar com a sangria de postos de trabalho para o litoral? Um exemplo, porque não são feitas e confecionadas as refeições das escolas de Vila Real na cidade em vez de virem todos os dias de carrinhas do Porto?

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