Domingo, 17 de Outubro de 2021
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Professora Ana Arcília o adeus a uma Grande Senhora

A morte de um amigo é também a morte de algo que vivia dentro de nós.

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No mais fundo da amizade de um amigo que partiu existe o desejo de eternidade, porque não é possível esquecer alguém que, direta ou indiretamente, marcou positivamente a vida de tantas pessoas. Quando parte um amigo, sussurra dentro de nós a dor da nostalgia como búzio do mar e as cores da natureza ficam sem pátria, sem beleza num pálido céu do entardecer.

A morte de um amigo faz-nos sempre sentir a perda do outro em nós… chora-se a morte de alguém com quem partilhamos momentos de bom e salutar convívio. Conheci a Professora Ana Arcília na Escola Diogo Cão e mais tarde no CIFOP na situação de Orientadora Pedagógica. A sua marca foi sempre a da competência e da boa camaradagem. Indelével na personalidade intocável, de bom trato e de simpatia.

Nas suas palavras cheias de sabedoria e inteligência encaixadas com erudição, e pronunciadas com oportunidade, lucidez e coragem, Ana Arcília acrescentava a tudo isso um sorriso humanizado que irradiava uma luminosidade resplandecente.
Vila Real perdeu agora uma enorme referência ética, intelectual e humana, pois Ana Arcília foi durante a sua vida um exemplo grandioso de mulher, devotada a uma relação afetiva à família sem limites.

Quem a conheceu, vai guardar dela a recordação terna da sedutora delicada, mulher quase impoluta porque se comprometia com todas as suas obrigações, vai recordá-la como maravilhoso ser humano que era.

Embora muito doente, o encanto de Ana Arcília reemergia, soltando-se quando se deparava com as pessoas, sussurrando, trazendo de novo a alegria de viver. Uma alegria que irá sobreviver no zénite do sol, um sol que aquece e mais tarde nos embala na escuridão.
Ana Arcília era uma pessoa de bons conselhos e por isso tanta gente recorria a ela. Nas várias instituições de ensino por onde passou era frequente os alunos quererem ouvi-la, procurando dissiparem dúvidas, pois sabiam que a professora gostava de ajudar e ajudava sempre com um sorriso sincero estampado no rosto. Ana Arcília nunca acorrentava a consciência de ninguém, antes, promovia a liberdade de cada um.

Pela sua culta e esmerada educação, inspiração familiar e espírito aberto à inovação, Ana Ercília vai ser lembrada enquanto tivermos memória, porque nada nos resta quando a perdemos e há pessoas que quando desaparecem para o reino do etéreo não deixam imitadores nem descendentes: são quase únicas como as estrelas do céu…

Muitos são os chamados, poucos são os escolhidos. E nos eleitos o vento sopra onde quer, já que a Graça de Ana Arcília foi sempre a manifestação evidente da Graça de Deus.

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