Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2026
No menu items!
InícioDouroProvedora de Justiça pede fiscalização da constitucionalidade da lei da Casa do Douro

Provedora de Justiça pede fiscalização da constitucionalidade da lei da Casa do Douro

A Provedora de Justiça decidiu avançar com um pedido de fiscalização da constitucionalidade da lei que repôs a Casa do Douro como associação publica de inscrição obrigatória

-PUB-

A Provedora de Justiça submeteu ao Tribunal Constitucional um pedido de declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, de normas da Lei n.º 28/2024, de 28 de fevereiro, que restaurou a Casa do Douro como associação pública e aprovou os seus estatutos.

Entende a provedora Maria da Lúcia Amaral, em comunicado partilhado na página oficial da provedoria, que a norma do artigo 1.º da Lei n.º 28/2024, que reinstituiu a Casa do Douro, e, consequentemente, as demais normas da mesma lei, violam os princípios da excecionalidade das associações públicas (artigo 267.º, n.º 4, da Constituição) e da liberdade de associação (artigo 46.º da Constituição).

“A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) congratula-se com a decisão da Provedora de Justiça, que encontrou mérito e fundamentos na queixa que apresentámos há alguns meses”, afirmou, citado em comunicado, o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura.

Também a Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) fez, no ano passado, uma queixa à Provedora de Justiça, a propósito da lei que restaurou a Casa do Douro.

A nova lei foi aprovada pelo parlamento de janeiro de 2024, as primeiras eleições aconteceram em dezembro e a direção, presidida por Rui Paredes, tomou posse a 27 de janeiro de 2025.

Em 2014, no Governo PSD/CDS-PP a Casa do Douro foi transformada numa associação com gestão privada e inscrição facultativa.

CAP e AEVP opuseram-se à alteração da lei, que contou com os votos a favor do PS (com exceção para Capoulas Santos) do PCP, BE, PAN, Livre e do deputado social-democrata Artur Soveral de Andrade.

No comunicado, a Confederação apontou numa “uma situação jurídica absurda” por estar “em vigor uma lei que contraria absolutamente a liberdade de associação e que fez regressar a Casa do Douro e os seus estatutos ao tempo do Estado Novo”.

“O facto de a senhora Provedora de Justiça pedir de forma tão clara e segura ao tribunal que declare a inconstitucionalidade não de uma, mas de várias normas desta Lei, com particular destaque para uma dimensão que não posso deixar de sublinhar, que é a da liberdade de associação, uma liberdade fundamental que é imperativo ver assegurada, deixa-me muito confiante e expectante quanto à apreciação que o Tribunal Constitucional irá agora fazer”, acrescentou Álvaro Mendonça e Moura.

António Filipe, presidente da AEVP, disse à agência Lusa que esta associação vê “com agrado a decisão da provedoria”.

“Mas, também entendemos que esta é uma oportunidade para olharmos para a organização do setor dos vinhos do Douro e Porto de maneira a conferir à produção a capacidade de poder atuar e de ser um par no conselho interprofissional com quem possamos discutir a resolução dos graves problemas que assolam a região”, referiu.

Uma oportunidade para, acrescentou, “revisitar o modelo de governação e se encontrar aquele que seja legal e que mais se adeque a enfrentar os grandes desafios” do Douro.

“Permito-me, contudo, desde já, lançar um desafio aos partidos políticos para que, à luz da iniciativa tomada pela Provedora de Justiça, aproveitem o período de discussão eleitoral que se avizinha para dizerem claramente aos agricultores portugueses que medidas se propõem tomar para garantir plena liberdade associativa à Casa do Douro”, afirmou Álvaro Mendonça e Moura.

É que, na sua opinião, “o Douro enfrenta a sua pior crise de sempre e é com liberdade associativa, e não com soluções estatizantes, datadas no tempo – e que são contrárias ao funcionamento do mercado e da economia – que se resolvem os problemas da região e dos seus produtores”.

“Aos partidos peço que sejam claros: são a favor, ou contra, a liberdade de associação”, questionou.

Em 2019 o parlamento restaurou a Casa do Douro, mas o diploma teve um veto do Presidente da República e, já em 2021 o Tribunal Constitucional apontou inconstitucionalidades à lei e o processo regressou à Assembleia da República.

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS