Terça-feira, 11 de Maio de 2021
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Quando as cidades deseducam

Um dos momentos diários em que o coração bate mais depressa para muitos de nós acontece quando, espreitando para lá dos portões, começamos a ver o nosso filho, a nossa filha, ou os nossos educandos, a saírem da sala de aula e a aproximarem-se das saídas dos estabelecimentos escolares.

No entanto, para muitos de nós, que somos Encarregados de Educação de crianças/adolescentes que frequentam as Escolas de Vila Real, essa taquicardia não abranda nos sorrisos dos filhos. Começou antes – quando quisemos estacionar a viatura nas imediações da Escola – e prolonga-se depois quando queremos chegar a casa com os educandos.

É evidente que não há alternativa de estacionamento suficiente para o fluxo médio de viaturas em redor dos estabelecimentos escolares – sobretudo em casos como o da sede do Agrupamento de Escolas Diogo Cão em determinados minutos envolvendo os picos de entrada e saída de alunos dessas instituições. Na decisão ingrata entre estacionar mal, dar quatro voltas ao quarteirão, esperar até que o utente da boleia chegue congestionando ainda mais o trânsito ou estacionar a um quilómetro de distância, muitos concidadãos escolhem o menor dos males. No final, todos nós- motoristas/educadores – tendemos a dar mau exemplo a quem queríamos educar, estacionando onde não se deve nem como se deve – em cima do lancil, de passeios, atrasando o fluxo de trânsito, sendo indelicados. 

Infelizmente, não há alternativa de transporte público válido – em muitos casos, o apeadeiro mais perto servido por transporte público dista umas centenas de metros, com a gravidade que os utentes menores/estudantes da Escola têm de percorrer e cruzar troços onde a velocidade média é claramente elevada mesmo considerando os limites admitidos para o interior das localidades e esperando que o tempo seja de sol, porque com chuva muitos chegam às salas de aula ensopados, o que tem motivado a atenção de diversos professores e auxiliares de educação.

Os veículos das firmas ligadas a centros de estudos ou a serviços de transporte escolar ou serviços de táxi têm ainda um espaço exíguo para o próprio fluxo destes veículos.

As Cidades – como a legislação europeia respetiva tem feito notar – devem ser Cidades Educadoras, refletindo e potenciando o esforço dos Professores, dos Educadores e das Famílias em prol de um Futuro que acontece hoje! 

Um dia, os tais estacionamentos suficientes aparecerão. Fica desde já o meu Obrigado – e o de centenas de co-EE que represento nesta crónica para quando tal acontecer.

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