Terça-feira, 27 de Julho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um português na ONU

António Guterres acaba de tomar posse, para um segundo mandato de cinco anos, como Secretário-Geral da ONU.

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Todos se recordarão que foi primeiro-ministro do governo português na década de noventa do século passado. Uma figura incontornável na história, quer do nosso país, quer do mundo. Repete, pelo que se espera que beneficie da sua experiência no cargo, para a espinhosa missão. Os tempos que o nosso planeta está a viver exigem coragem e determinação. Na sua posse, disse que aceitou o desafio para enfrentar um momento crítico da história. (Ele que decidiu, como muitos recordarão, abandonar o cargo de Primeiro-Ministro, porque a política portuguesa estava um pântano). Este segundo mandato de António Guterres arranca com desafios acrescidos em relação aos que existiam em fevereiro de 2016, quando submeteu a sua candidatura ao cargo, descrito no artigo 97º da Carta das Nações Unidas como chefe administrativo da organização, e que tem mais olhos postos em si do que poder efetivo, para impedir massacres e genocídios.

Não se antevê fácil a tarefa, que deveria começar por uma reestruturação profunda desta organização, principiando no próprio Conselho de Segurança, que, tal como está, pouca segurança dá aos cidadãos indefesos. Lembramos os muito recentes acontecimentos do Norte de Moçambique, país que nos é mais próximo em termos afetivos, onde centenas de milhares de criaturas foram barbaramente atacadas, sem que uma força militar de segurança tivesse acorrido de imediato em seu auxílio.

Sendo assim, há muito que advogamos a necessidade de rever a função do Conselho de Segurança, para que tenha permanentemente, em prontidão, forças militares, policiais, ou o quer que seja, que possam sair e acorrer de imediato, porque estarão mandatadas pelo mundo para intervir, sem necessidade de outra autorização. Importante desafio que nos ocorre, e que Guterres lembrou também nas suas primeiras palavras, é o de ajudar todas as nações na gigantesca tarefa da vacinação, única forma de evitar que continuem a morrer tantos milhões de inocentes, que vivem em países sem capacidade para os vultosos investimentos necessários. “Vão-se os anéis, fiquem os dedos”, este refrão popular incita-nos.

Que não se baixem os braços nesta convocação bem mais urgente do que o desafio climático, que preenche também a agenda mundial, mais em modo de show off, do que em medidas concretas e de futuro. Concluo, dizendo que todos desejamos as maiores felicidades ao nosso compatriota, que decidiu aceitar o desafio de continuar servindo.

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