Domingo, 26 de Setembro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Vila Real Amordaçada!

Nunca tinha visto numa Assembleia Municipal (AM) tanta arrogância e prepotência expressa pelo líder da autarquia, mostrando que na política vale tudo, contando com a complacência e silêncio de quase todos os participantes, na reação a uma pergunta simples, formulada de forma educada e civilizada por um Cidadão, que teve de aguentar, o que não foi mais do que um desenlace lamentável desta AM, de 26/2/21

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A sessão iniciou-se com a defesa da qualidade do Plano de Urbanização da Cidade de Vila Real, pelo sr. Vereador do pelouro. De forma leviana, julga poder escamotear aquilo que foi um verdadeiro atentado aos mais elementares valores democráticos… Publicar no Diário da República (DR) um documento que não foi aprovado na casa da democracia vila-realense é, no minino, um desrespeito e uma desconsideração pela AM, e por todos os seus participantes.

Qual dos documentos deverá ser considerado, pelos vila-realenses? O documento aprovado pela AM ou o publicado no DR? Na resposta, o sr. Vereador promove a correção do documento aprovado na AM e diz que vai mandar para publicação um documento já publicado…. Estamos perante uma nova oralidade, a da demagogia barata. Se o documento aprovado pela AM é o verdadeiro, como designarão os munícipes, o que foi publicado no DR em 13/11/2020? Falso? Ou temos dois documentos desiguais verdadeiros? Até Sócrates, o pensador, ficaria confuso….

O sr. Vereador que já nos habituou à sua forma mui nobre de estar na política, no seu discurso, já tinha responsabilizado os funcionários municipais…, nesta AM, com a sobranceria que se lhe reconhece, veio reclamar, respeito, ética e dignidade, esquecendo-se que foi o próprio, que concebeu esta “porcaria”, e que deve assumir a responsabilidade…, pelo menos da sua limpeza, e não imputá-la a terceiros, nem arranjar bodes expiatórios.

A sessão terminou com a exibição de um inexplicável “Auto de Inquisição”. Subiu ao palco um cidadão, para, e utilizando o regulamento da AM, questionar o executivo. Na sua intervenção, solicitou ao líder da autarquia a identificação dos oleiros autores dos troféus em louça preta de Bisalhães, que este executivo ofereceu a diversas figuras públicas, nomeadamente: Rui Reininho, The Gift, Miguel Oliveira e Tiago Monteiro.

De imediato, num ato preparado, digno de Tomás Torquemada, o líder do executivo fez projetar no ecrã do teatro vários diapositivos com imagens retiradas, alegadamente de uma conta de uma rede social, do cidadão em causa. O que se seguiu é revelador da conduta do líder da autarquia, utilizar a AM para promover um ato de “lavagem da honra”, não se limitando apenas à prática da política do ressabiamento, mas, também, à exclusão do cidadão, esquecendo-se do local onde estava, do lugar que ocupa e, principalmente, da obrigação de servir os cidadãos, isto tudo com a complacência do Presidente da AM.

Não satisfeitos, e após a “exposição dos factos”, a Srª. Vereadora da Cultura “rasgou as vestes de indignação” e como a “verdade engrandece a alma”, mas sem “alma até Almeida…”, proferiu um discurso inflamado, com um laivo de vitimização, sendo um verdadeiro hino à demagogia, que faria corar de inveja os autores dos escritos do Estado Novo e como no tempo do Estado Novo, os serviçais aplaudiram e o cidadão ficou sem resposta.

A conduta deste executivo sob a batuta do seu líder, revela a forma antidemocrática, de como tem exercido a governação do concelho…, numa postura de “quem não é por mim é contra mim”, tentam e por vezes de forma execrável, como aconteceu nesta AM, amordaçar todos os cidadãos que têm opinião própria. “Estes socialistas” têm como lema, quero controlar, posso humilhar e mando obedecer.

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