Quarta-feira, 28 de Setembro de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

36º Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes

Entre 2 e 4 de setembro, primeiro fim de semana do mês, em Vilar de Perdizes não assistiremos à maior romaria profana de sempre, como aconteceu nos anos oitenta do último século.

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Mas o Congresso de Medicina Popular será revitalizado, este ano, com algumas nuances que mediatizaram aquela histórica freguesia do concelho de Montalegre, no derradeiro quarto de século, graças à ousadia, pioneirismo e atrevimento do então reitor dessa paróquia, padre Lourenço Fontes.

Foi em 1983 que este sacerdote católico afrontou o bispo diocesano, escandalizou os mais devotados fiéis à religião e desmascarou os usos e os costumes de incidência transmontana.

Este polémico clérigo, que já enquanto seminarista fora acusado ao bispo António Valente da Fonseca de manter um namorico na freguesia de Mourilhe, e que nas férias grandes, com batina vestida ou levada no braço, como os estudantes que evidenciavam a capa a pedir boleia, assim fez para conhecer os países europeus. Concluído o curso de Teologia, o «Padre do Grilo», alcunha do pai que emigrara pelas Américas e lhe ensinara a fazer-se à vida, destinou-o a pároco de Tourém e de Pitões, terras agrestes que tinham vizinhança fraternal com esse «cura» das terras da Piconha e dos Povos Pomíscuos.

Foi dos primeiros párocos a ter automóvel e estatuto cívico para «curar as populações daquelas redondezas fronteiriças. Em 1972, o signatário desta crónica convidou-o para, conjuntamente e ainda com Alberto Machado, publicarem o livro Usos e Costumes de Barroso, prefaciado pelo etnólogo e antropólogo Santos Júnior. Até aí, nunca fora editado qualquer estudo exclusivo, sobre tão vasta e diversificada temática, em terras de Barroso. O dinâmico abade, que entretanto deixara Tourém e Pitões para paroquiar Vilar de Perdizes, dispôs aí, de espólio tentador, de outro padre barrosão que foi autor d’O Perdigueiro Português; e de uma residência Paroquial que convidava a aprofundar o seu historial. O padre do Grilo tinha o perfil ideal para fazer de Vilar de Perdizes a sede antropológica do norte de Portugal.

Em 1983 entendeu realizar o I Congresso de Medicina Popular, acontecimento que beneficiou do mediatismo do clérigo que os meios de comunicação endeusaram até hoje.
Com 82 anos, pediu dispensa de funções religiosas, mas continuou a ser o agente turístico que mais fez pelas suas origens telúricas. Criou e lidera outro programa popular, que de certa forma retirou fama aos 35 congressos de medicina popular. Essa nova romaria passou a acontecer na vila de Montalegre, sede de concelho, sempre que o dia 13 de cada mês coincide com uma sexta-feira.

A pandemia intrometeu-se desde 2019, mas a Associação para Defesa do Património de Vilar de Perdizes, em parceria com a autarquia, vai retomar esse programa profano. O programa continuará a ter a presença do seu criador e promotor. Lá estaremos como sempre estivemos, a seu lado, em nome dos Usos e Costumes de Barroso.

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