Sábado, 6 de Dezembro de 2025
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80 anos de Auschwitz

Celebraram-se há dias os 80 anos da libertação do complexo dos campos de concentração de Auschwitz, na Polónia.

No dia 27 de janeiro de 1945, as tropas soviéticas libertaram os prisioneiros, onde eram submetidos a trabalhos forçados e a todo o tipo de humilhações e sevícias inimagináveis, e onde muitos foram exterminados. O que se denomina por Holocausto ou Shoah. Só judeus, terão sido mortos mais de seis milhões, não apenas ali, mas noutros campos e lugares, não esquecendo outros grupos, como ciganos, poloneses, soviéticos, deficientes, entre outros.

Como é que em pleno século XX se deu um acontecimento com tamanha barbaridade, o expoente máximo da maldade humana! A mais insana banalização do mal e a mais estupenda e brutal indústria de morte que jamais se inventou, promovida por um dos países mais desenvolvidos e cultos da humanidade! Dá que pensar! É bom que se continue a fazer memória deste acontecimento, a conhecê-lo, a refleti-lo profundamente, a ensiná-lo, e tudo se faça para que jamais se possa repetir, e não está garantido que assim seja, como vamos vendo, de que jamais se possa repetir, porque a história é mestra da vida, mas tem poucos alunos.

Um estudo de 2023 mostra que entre os jovens americanos com idades entre os 18 e os 29 anos, 20% acreditam que o Holocausto foi um mito. Um mito? Acreditam baseados em quê? Mas será que esta gente não lê, não vê e não ouve? Outros 30% não acreditam nem deixam de acreditar. No Reino Unido, um em cada 20 inquiridos não acredita que o Holocausto aconteceu. Mas não se trata de acreditar. Está devidamente estudado e documentado pelos historiadores. O holocausto aconteceu. Há testemunhos vivos. Não faltam provas. Os edifícios dos abomináveis campos de concentração estão de pé. É inaceitável que se possa alimentar a suspeição de que tudo isto foi uma fabricação histórica e é uma manipulação com objetivos políticos. Não tem ponta por onde se lhe pegue qualquer tipo de negacionismo.

Infelizmente, devido à liquidez histórica em que vivemos, com graves consequências para a memória e para o respeito pelo passado, ao rejuvenescimento de algumas forças políticas, e à existência atual de persistentes graves conflitos revestidos de crueldade e desumanidade, vemos o Holocausto a ser relativizado, manipulado e até negado, o que é inaceitável. Não há nada que se lhe possa comparar. Jamais devemos permitir que seja esquecido ou negado, e toda e qualquer forma de antissemitismo deve ser prontamente combatida.

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