Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021

A hipocrisia da esquerda

A esquerda portuguesa (PCP e BE) mais uma vez mostrou toda a sua hipocrisia e demagogia a propósito do caso “Raríssimas”. 

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Aproveitando algumas irregularidades detetadas naquela instituição que os media se encarregaram de transformar num caso nacional gravíssimo, as virgens ofendidas da esquerda portuguesa logo vieram clamar contra os privados (as IPSS) que praticam a “caridadezinha”, aproveitando para defender que deveria ser o estado a assegurar toda a proteção social! Tal, no entendimento destas luminárias resolveria todos os problemas porque no estado não há corrupção, nem oportunistas, nem incompetentes! O ideal para esta esquerda retrógrada seria (digo eu) nacionalizar todas as IPSS, Misericórdias, Fundações, etc. Já sabemos há muito que a esquerda não tolera a iniciativa privada porque na sua cegueira ideológica só o que é público é que é bom e, por isso, tudo deve ser estatizado. 

É curioso que em relação ao acidente de há dois meses no Hospital S. Francisco Xavier (hospital público) que envolveu diversos infetados (e mortos) com a legionella, a esquerda praticamente nada tenha dito. O que diria se tal tivesse acontecido num hospital privado! Note-se que neste caso como no da “Raríssimas” a culpa não é das instituições nem do sistema (público ou privado). A verdade é que estes casos acontecem por diversas razões, desde culpas de pessoas, responsáveis ou funcionários, mas também devido a circunstâncias e fenómenos alheios às instituições. Mas os ataques, ainda que velados, às Instituições Particulares de Solidariedade Social são especialmente chocantes, porque todos sabemos o extraordinário serviço que estas, na sua enorme maioria, prestam aos idosos, aos que estão sós, aos deficientes, às crianças, aos doentes, aos que não têm meios, etc. 

As IPSS são um suporte fundamental de apoio e proteção social, contribuindo para dar uma vida digna e feliz a muitos que nada têm, nem sequer família que os acolham. Criticar a solidariedade destas e de outras instituições e até de pessoas (que designam depreciativamente por caridade), como a esquerda, o faz é tão ou mais hipócrita como exultar as virtudes do comunismo soviético, coreano, etc., onde as pessoas viviam e vivem em condições degradantes e onde se morre à fome. A este propósito cito o testemunho de uma revolucionária bolchevique, Evgénia Iaroslavskaia-Markon (1902-1931) – que participou na revolução de 1917. Tendo estado em Paris na década de 20 do século passado, e tendo recorrido a um retiro dos “sem abrigo”, escreveu na sua biografia “A Revolta”: “Neste abrigo, por um período de 2 meses, cada pessoa – tanto fazia se era parisiense ou estrangeiro chapado – recebe, sem pagar absolutamente nada, abrigo durante a noite, chá com pão, almoço e jantar. Dão de comer quase até termos a barriga cheia, e o almoço sacia e é muito mais nutritivo do que nas casas de reabilitação social soviéticas… Se me lembrar que na Rússia Soviética os abrigos noturnos são pagos, a comida em todos eles custa, a fortiori, dinheiro…, involuntariamente vem à mente que a caridade, até mesmo burguesa, não é tão inútil e, em qualquer caso, em toda a sua ridícula sentimentalidade, está muito acima da inexorável tutela “socialista” bolchevique! Barão Rothschild, a sua mão! Não o conheço, mas, com certeza, o senhor é muito mais decente do que a escumalha hipócrita dos sovietes de Moscovo! É mesmo muito mais decente!” Claro que esta revolucionária, que cedo se apercebeu do embuste bolchevique soviético, foi enviada para o Gulag das ilhas Solovki com o marido, o poeta russo e também revolucionário, Alexandre Iaroslavski (1896-1930) onde foram mortos, em 1930. 

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