Sábado, 6 de Dezembro de 2025
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Miguel Torga e o Prémio Nobel (I)

Miguel Torga (1907-1995) foi um dos maiores poetas e escritores portugueses do século XX. Tem uma vasta obra repartida pela poesia, prosa e teatro que lhe valeu vários prémios nacionais e internacionais.

Na poesia, foi um dos maiores como Sophia referiu:“Miguel Torga é um poeta que um país se diz.” Na prosa, destacam-se os seus 16 Diários publicados desde 1940 a 1993 e a sua biografia, “A Criação do Mundo”, cujo título ele explica assim: “Todos nós criamos o mundo à nossa medida”. Sempre se considerou, acima de tudo, poeta, mas também se dedicou de alma e coração à medicina: “A caneta que escreve e a que prescreve revesam-se harmoniosamente na mesma mão”.

Torga considerava-se “um defensor incansável do amor, da verdade e da liberdade, a tríade bendita que justifica a passagem de qualquer homem por este mundo”. Foi um defensor intransigente da dignidade da pessoa humana e vincou a sua independência nas inúmeras intervenções sociais, culturais e políticas em que participou.

Viveu a maior parte da sua vida, 50 anos, sob a ditadura de Salazar que o prendeu e o censurou mas que nunca conseguiu suprimir-lhe a sua liberdade de pensar. Só conheceu a verdadeira liberdade aos 70 anos, com a revolução de Abril, em 1974. Pois, apesar de todas as barreiras e constrangimentos que sofreu em todos esses anos, criou, publicou e honrou a literatura portuguesa. O seu nome e a sua obra trouxeram para a ribalta a importância da nossa literatura como foi reconhecido por Torrent de Ballesteros, prestigiado catedrático de literatura espanhola e escritor, que disse, em 1986: “Uma literatura que produz no mesmo século dois vultos do calibre de Pessoa e de Torga, pode considerar-se uma literatura de excelente saúde”.

Em 1960, 1963, 1965 e 1985 foi proposto para o Prémio Nobel da Literatura. Em 1965 foi proposto pelo professor Goran Hammastrom, da Universidade de Upsala. Para a candidatura de 1960, Jorge de Sena e Francisco Sousa Tavares enviaram uma carta, em Dezembro de 1959, à Sociedade Portuguesa de Escritores:

Excelentíssimo Senhor Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores
Cito os dois principais pontos:

8º – Para Portugal, para a sua literatura e até para a condição hodierna do homem português, a obtenção do prémio Nobel da Literatura por Miguel Torga, é de tal forma importante, que obriga em consciência a que para isso se envidem os maiores esforços.

10º – Solicita-se portanto a V. Exª. que essa Sociedade se solidarize com a candidatura de Miguel Torga apoiando-a junto da Academia Real de Estocolmo,…

Em próximo artigo esclareceremos porque não obteve êxito a candidatura de Torga.

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