É voz corrente que DT não gosta da Europa e até lhe dedicará algum desprezo. Talvez a sua história de vida, cheia de trapalhadas, de negócios de duvidosa legalidade e de comportamentos éticos e morais condenáveis, o torne, relativamente aos padrões europeus, “persona non grata”. Por outro lado, é patente o seu défice cultural e educacional. DT pensa, fala e age, tendo por base os cifrões e o pior da agressividade e da soberba americanas.
Desde que tomou posse, o que ouvimos da sua boca: retirada da América da OMS e dos acordos climáticos, ameaças à continuação na NATO e críticas aos aliados europeus, propostas para dificultar as exportações para os EEUU, tratamento dos emigrantes sem qualquer dignidade, ideias expansionistas de anexação da Gronelândia e do Canadá!
A estratégia de DT e dos seus amigos, como Elon Musk, é dividir a Europa, apoiando os anti-europeístas que vêm minando a coesão europeia. Perante este quadro, a Europa só tem uma solução, unir-se e não ceder à ameaça Trumpista. Neste contexto, parece-me oportuno lembrar o discurso que Winston Churchill, proferiu sobre a Europa, em 1945: “Este nobre continente, que contém as regiões mais belas e mais bem cultivadas do mundo, que goza de um clima temperado e regular, constitui o berço e a morada de todos os grandes povos irmãos do universo ocidental. Ele é a origem da fé e da moral cristãs. É dele que são na maior parte oriundas as culturas, as artes, as ciências, a filosofia, nos tempos modernos como na antiguidade. Se a Europa pudesse um dia, unir-se e partilhar o bem comum, não haveria limite algum para a felicidade, a prosperidade e a glória dos seus 300 ou 400 milhões de habitantes. O remédio é, portanto, simples: É formar de novo a família europeia e, na medida do possível, dar-lhe uma estrutura que lhe permita viver em paz e em liberdade. É por isso que devemos edificar uma espécie de Estados Unidos da Europa. Para isso é necessária a reconciliação entre a França e a Alemanha.” Estas sábias palavras do maior estadista europeu do século XX confirmaram-se até hoje.
Nunca a Europa esteve tantos anos em paz – 80 anos. Em nenhuma outra região do globo se pratica a democracia e a liberdade como na Europa. O estado social, que existe em praticamente todos os países europeus como em nenhuma outra parte do mundo, possibilita que os mais desfavorecidos vivam com um mínimo de dignidade.
A este propósito cito do Público de 25/01/25, Álvaro de Vasconcelos, especialista em assuntos internacionais: “A hipótese de um mundo baseado em regras, capaz de regular as redes sociais, multilateral e, essencialmente, um mundo de democracias que a Europa ainda é”. Este património político e social de que a Europa tem desfrutado desde a última guerra mundial não pode ser perdido e, pelo contrário, deve ser reforçado. Para isso, precisamos de uma liderança europeia forte, de uma unidade que se exprima numa cidadania europeia, e, com certeza, de verdadeiras políticas de defesa e externa comuns.






