Sábado, 16 de Outubro de 2021
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A inventona do 24 de setembro de 1974

No próximo dia 28 deste mês completam-se 47 anos daquilo que ficou conhecido, nos idos da Revolução de Abril, por intentona do 28 de setembro.

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De facto, tratou-se de uma verdadeira inventona criada e promovida, propositadamente, pelo PCP e seus apêndices, com a cumplicidade militante dessa malfadada organização, dirigida pela ala radical do MFA, denominada COPCON, acrónimo de Comando Operacional do Continente.

Com o objetivo de evitar, a todo o custo, a realização de uma manifestação de apoio ao general Spínola, que desempenhava na altura o alto cargo de Presidente da República, as referidas forças partidárias organizaram diversas barricadas, nos acessos a Lisboa, na madrugada desse dia, revistando todas as viaturas automóveis que, na ótica da sua fúria ideológica, eram suscetíveis de transportar armamento e outros artefactos perigosos destinados à “Reação”. Impedindo, assim, que a tal manifestação se realizasse. Não satisfeitos com essas ações desestabilizadoras, continuaram nesse dia e nos dias subsequentes, sempre com a intervenção ativa do famigerado COPCON, a deter e prender dezenas de cidadãos indefesos, invadindo os seus domicílios a qualquer hora do dia e da noite, para os levar, numa primeira fase para o RAL 1 (batizado depois com a sigla RALIS) e posteriormente para o Forte de Caxias.

Foi assim que Artur Agostinho, o popular locutor da RTP, na madrugada desse dia, foi detido, na sua casa de férias, perto de Colares, por uma força militar às ordens do COPCON, sob forte suspeita de pertencer a uma associação de malfeitores. Na sequência dessa detenção foi levado, primeiro para o RAL 1 e seguidamente, para o Forte de Caxias onde permaneceu 3 longos meses encarcerado, dois deles em total isolamento, para no final, desse período atrabiliário, ter sido libertado sem qualquer acusação formal. Este caso paradigmático, e o de muitos outros, é revelador da mentira e artimanhas orquestradas pelas tais forças “revolucionárias” para impedir que qualquer cidadão, que não comungasse dos seus ideais políticos, fosse impedido de exteriorizar, publicamente, as suas ideias e se visse cerceado dos mais elementares direitos de cidadania.

Querer atribuir aos acontecimentos daquela data setembrista, praticados pelas tais organizações partidárias, uma conotação legalista, inventando uma intentona onde ela nunca existiu, é não só falsear a verdade dos factos, como também contribuir para branquear os comportamentos persecutórios e maniqueístas dessas forças totalitárias, que tudo fizeram para tomar o poder ao arrepio do Programa do MFA, desvirtuando-o na sua essência e originalidade.

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