12O Serviço Nacional de Saúde foi uma grande conquista para o país, é uma grande mais valia termos assim um serviço de saúde, mas está a passar por uma grande turbulência e é inaceitável que os cidadãos portugueses tenham de começar a fazer fila às quatro da manhã para poderem ser atendidos por um médico. Há filas de espera intoleráveis. Em muitos hospitais, as urgências estão caóticas e levam ao desespero por esperas longas e angustiantes. Os 12, independentemente de se achar se são ou não são uma solução contra a eutanásia, estão muito longe do desejável, podendo-se, através deles, cuidar melhor e aliviar o sofrimento de muitos pacientes, dando-lhes a possibilidade de viver melhor e mais tempo. Há toda uma rede de cuidados que é ainda deficitária e deveria merecer do Estado uma maior intervenção e investimento para se ajudar a viver melhor e a acompanhar, cuidar e tratar a doença, a fragilidade e o sofrimento humano.
O número de pobres, quer governe a direita, quer governe a esquerda, não baixa significativamente. Governa-se mais para conjeturas, ambições, interesses e clientelas. Temos muitas pessoas a viver no limiar da pobreza. Ainda há muito por fazer na promoção do valor da vida e na sustentação de uma vida de qualidade para todos e na integração social. Ou seja, ainda há tanto por fazer pela vida humanamente e medicamente assistida, e nós andamos ocupados em dar o direito a morrer e em facilitar a morte. Primeiro que tudo temos de fortalecer o gosto e o amor pela vida e fazer tudo pela vida. Só assim depois teremos autoridade para pensar em situações extremas da vida, autoridade que, neste momento, como vemos, não temos.
Como crente e homem de fé, aceito que a vida é dom de Deus e que a nós nos compete administrá-la e cuidá-la bem até ao fim. Não é um direito meu pôr fim à vida. Mas tenho de aceitar quem pensa diferente de mim e não é crente, e tem outra perspetiva da vida. Honestamente, acho que não é matéria para um referendo, porque acho que a morte e a vida não se gerem por maiorias. São assuntos da consciência. E tenho muito cuidado em falar do sofrimento e das decisões dos outros. A vida coloca-nos diante de dramas e sofrimentos muito difíceis de aceitar e resolver.


