Sábado, 3 de Dezembro de 2022
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Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

As guerras do trigo

Publicação recente do historiador Scott Reynolds Nelson, sob o título: ”As guerras do Trigo”, chamou a nossa atenção por se tratar de um tema que nos lembra esta guerra que a Rússia está a impor à Ucrânia.

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Na realidade, ainda hoje, os cereais produzidos nas vastas planícies deste país – um dos maiores do continente europeu – são a fonte alimentar dos países menos desenvolvidos, sobretudo de África.

Este autor esclarece que os impérios modernos prosperaram no controlo do pão. Os historiadores, sobretudo os que se dedicam aos períodos mais recentes da nossa história, são inequívocos na análise das provas que lhes permitem demonstrar como, ao longo dos séculos, os cereais foram um agente silencioso de revoltas e revoluções, de agressões militares e convulsões sociais.

Segundo este autor, a guerra que Putin impôs à Ucrânia é apenas o conflito mais recente, desta estratégia que tem atrás de si uma longa história, sendo que o ponto nevrálgico da distribuição é a região de Odessa. Exatamente o nome que diariamente entra em nossas casas através das reportagens ou dos comentadores da comunicação social.

Não significa isto, que esta paranoica decisão, de Putin invadir a Ucrânia, tenha em vista “roubar” cereais a este extenso país da Ucrânia, se bem que se perceba que, mesmo nos nossos dias, esta produção deva ser parte do rendimento para os naturais e residentes naquele país. Porém, o ditador russo tem intenções expansionistas e já deixou aperceber-se que pretende refazer a antiga União Soviética, que a queda do muro de Berlim, há pouco mais de 30 anos, desfez. É notório já, no seu discurso praticamente diário, que o seu objetivo é cercar a NATO, em particular as nações europeias, cujos povos, ele percebe, que têm um nível e uma qualidade de vida que os cidadãos russos, não atingirão tão cedo.

Durante o conflito, que o ditador continua a alimentar, cada vez com maior dificuldade, (basta lembrar as dezenas de milhares de jovens que ele decretou mobilizar como “carne para canhão”, que viraram costas e fugiram para países limítrofes), ninguém sabe, quando terminará. A não ser que, em desespero de causa, se decida pelo uso de armas nucleares, cujos efeitos práticos ninguém é capaz de adivinhar. Estamos em crer, porém, que a isso o desaconselharão, alguns dos seus próprios amigos que ainda o apoiam, como por exemplo o líder turco, cuja ação mediadora na questão da exportação dos cereais, tem sido decisiva.

Todos ambicionamos que a paz volte rapidamente.

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