António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

As vivências da Páscoa

Quem tenha ouvido as notícias ou, simplesmente, as informações de trânsito na passada quinta-feira depressa se terá apercebido que as Áreas Metropolitanas ficariam algo desertas pela debandada de uma parte significativa dos seus habitantes.

Ainda há os que vêm às suas origens. A maioria, porém, deslocou-se para sul à procura do sol e das praias do Algarve. São os que fazem jus ao que começa a ser tradição pela Páscoa, as miniférias. Estas ganham cada vez mais adeptos e a sua relevância passa sobre a componente religiosa da tradição cristã.

Foi muito interessante ver, por estes dias, uma nova forma de lembrar os momentos mais importantes da semana. Às procissões tradicionais que existem um pouco por toda a parte, com destaque para Braga, juntaram-se outras formas. Refiro-me às celebrações públicas da Via Sacra, ou Via Dolorosa, assim referidas em Vila Real e Alijó. No primeiro caso, dando sequência ao que já vem acontecendo há alguns anos com o empenho profissional de uma Companhia de Teatro, a Filandorra e do Coro de Marco Aurélio; no segundo, numa primeira experiência em que o Município contou com a prestimosa colaboração das Freguesias, tendo sido bem visível a participação das comunidades locais. E se vissem o entusiasmo das pessoas, os apelos feitos através das redes! Para quem se recorda da representação do Ramo, que acontecia em Pegarinhos há já umas décadas, com a representação da Vida de Cristo (julgo não errar) durante toda a noite – os expetadores não podiam sair antes da madrugada porque não havia transporte para a sua localidade e os caminhos não primavam pelo bom estado para viagens noturnas. Ocorreu-me que, então como agora, se praticava uma pastoral muito adequada ao seu tempo. Os espaços públicos com uma linguagem das artes cénicas tornam-se espaços privilegiados para a comunicação da mensagem da Páscoa. Ora não acontece já a passagem do Compasso Pascal, de rua em rua, de casa em casa?!…

Nestas representações destacam-se os momentos em que se fala da renúncia e do sacrifício. Também o chamado cinema tradicional desta época o faz. Todavia, a Semana Santa inicia-se com uma exaltação, a da entrada de Jesus em Jerusalém, recebido em festa e termina com os aleluias da Ressurreição. São diferentes modos da vivência da Páscoa, sentida de forma mais ou menos profunda por uns e por outros, os que preferem as miniférias e os que, em cerimónias mais tradicionais, ou com alguma modernidade, mantêm o sentido originário da Semana da Páscoa.

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