Quinta-feira, 30 de Abril de 2026
Paulo Reis Mourão
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Camilo e camilianas

Camilo Castelo Branco nasceu em 1825. Ainda que a sua vida – então, se contada a partir de relatos do próprio – seja uma bela lista de episódios ampliados para os fins mais diversos – possa parecer efabulada, duzentos anos depois, nesta data redonda, o país presta-lhe a devida homenagem.

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Não só o país como a cidade de Vila Real, onde ele ensaiou o génio literário mas também a animosidade política e a retaliação social.

Dentro das várias expressões organizadas em Vila Real nestes últimos meses, gostaria de salientar duas. A primeira relaciona-se com a Escola Secundária homónima que, entre várias iniciativas, organizou uma belíssima exposição em Março, nomeadamente sobre excertos camilianos que retratam momentos de várias personagens (em diversas obras) localizados na Vila Real de então, esboçada por Camilo. Nem todos têm a felicidade de frequentar (ou terem frequentado) o Liceu, a “Camilo”, para nós a melhor Escola do mundo (aliás, os meus filhos são a quarta geração da minha família a fazê-lo). Ainda assim, fico muito feliz quando encontro gerações de colaboradores desta Escola de referência a produzirem uma exposição como a referida (a par de outros eventos que não menciono para não esgotar o espaço disponível)!

A segunda homenagem a Camilo a partir de Vila Real que destaco é o livro ”Camilo: Linhas e Entrelinhas”, a partir de crónicas e outros contributos literários de A.M. Pires Cabral. Com edição do Grémio Literário A.M. Pires Cabral/Câmara Municipal de Vila Real, é um livro que permite uma visão ampla da vida e do génio de Camilo Castelo Branco pela visão de A.M. Pires Cabral. Os capítulos, ordenados numa sequência temporal de publicação original, permitem recortar uma leitura também dinâmica feita sobre Camilo, sobre as polémicas que envolviam Camilo, inclusive a animosidade que alimentou as organizações e tertúlias literárias até à década de 1990 focadas na figura camiliana. Decerto uma edição a beneficiar de uma segunda tiragem em breve (esperando-se aí uma revisão tipográfica adequada), este livro é uma síntese poderosa dessa vida e obra que dividiu as penas de Aquilino e de Teixeira de Pascoaes, na mesma medida em que o escritor, o ‘penitente’ ou o polemista dividia os ânimos de anónimos e literatos, no seu e no nosso tempo.

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