Quarta-feira, 29 de Maio de 2024
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Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Caridade e “Caridadezinha”

À volta de muitos factos que evidenciam ilegalidades, imoralidades e “chico-espertices” (de que o mais recente e mediatizado caso é o da “Raríssimas” – na verdade escandaloso não só pelos desvios de dinheiros públicos e apropriação indevida de bens mas, também, pelas manigâncias do poder e das relações promíscuas e corruptas entre particulares e o Estado – em que os primeiros recebem e o segundo dá –, entre gente oportunista e elementos da governação) tem-se falado muito da “caridadezinha”, uma situação que, na verdade, existe e através da qual muitos enriquecem e atingem zonas de conforto através das supostas ajudas aos mais necessitados e apoios aos desprotegidos.

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Há que ter em conta, todavia, que o conceito de “caridadezinha” (em geral esgrimido pelas classes sociais mais favorecidas que frequentam casinos, jogam a canasta e organizam banquetes para poderem oferecer um cobertor ou um pacote de feijão aos “pobrezinhos”) nada tem a ver com o conceito de Caridade, uma virtude da Fé. Com efeito, a Caridade não resulta propriamente de meros gestos coletivos organizados em que aquele que dá se coloca num patamar acima do nível em que os pobres estão. A Caridade é exercida, solidariamente, por pessoas que compreendem o sofrimento dos outros e procuram reverter essas situações de carência. Na Caridade, quem ajuda está ao mesmo nível daqueles que recebem. Uma ajuda que deve ser descomprometida e desinteressada, sem que haja algo em troca, por detrás.

Obviamente que a Caridade é um valor importante. A “caridadezinha” nem sempre oferece segurança e conforto a quem necessita de ajuda.

E não só deve ser entendida a Caridade como processo de distribuição de bens materiais às pessoas que os não têm. A Caridade tem de ser exercida ao nível do Coração (que o mesmo será dizer da Alma), em proximidade, em presença, em graça, em afetos, não só em gestos mas também em palavras, em objetivos e propósitos.

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