Domingo, 22 de Maio de 2022

Como olhar para a Saúde Mental

Em plena época natalícia, apontando já as prioridades para o ano 2022, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa enfatizou, publicamente, a necessidade urgente de se investir no combate à pobreza, mas, essencialmente na promoção da saúde mental dos cidadãos.

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A prevenção, a aposta na saúde mental, a modernização e criação de unidades de saúde, a valorização de instrumentos como a linha SNS24 foram algumas das medidas repetidas em tempo de eleições, pelos mais variantes quadrantes políticos, desde a esquerda à direita, sem exceção.

Indubitavelmente, e perante todas as adversidades que atravessamos, a saúde mental dos portugueses agravou-se de um modo generalizado como reflexo direto de uma pandemia imprevisível agravado com o conhecimento de episódios trágicos, os quais assistimos, e geram, desde logo, uma grande revolta interior.

Sabemos que a depressão é uma doença presente na vida de muitos portugueses, agravada por um contexto pandémico horrível, que dura há praticamente dois anos, cujos efeitos futuros são ainda incalculáveis, e que teima em não nos abandonar.

No entanto, tenho a perceção que ainda assim existe um ligeiro desconforto ao falar da saúde mental, como se tal não existisse de facto, como se não fosse um problema grave na vida dos portugueses.

Infelizmente, a saúde mental é tratada como o parente pobre por alguns, ganhando notoriedade maior, quando até nós chega um relato chocante ou um episódio que se atempadamente foi diagnosticado, ou melhor, tivéssemos reagido, poderíamos ou não ter evitado, mas reagíamos.

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto revela que 50% das pessoas portuguesas inquiridas num estudo publicado no Journal of Affective Disorders Reports (A informação, recolhida entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021), demonstram sintomas mais graves de depressão, principalmente com maior impacto em faixas etárias mais jovens.

Infelizmente, a criação de equipas comunitárias de saúde mental, especialmente na área da infância e adolescência, tem enfrentado importantes e difíceis limitações, nomeadamente a escassez de recursos humanos pela dificuldade em mobilizar os profissionais de saúde mental, com agravamento maior na deslocação para o interior do país.

Porém, sou da opinião que a implementação destas equipas se afigura como essencial para prestar cuidados em proximidade e promover a acessibilidade e a equidade.

Aproveitando a vontade política, e embora muitos passos tenham sido dados nessa direção, para deixarmos de olhar para a saúde mental como um mundo à parte e muitas vezes verberada e discriminada, devemos locar ainda mais recursos com vista a levar cuidados de saúde mental a casa destes doentes, não só adultos, mas também crianças e adolescentes.

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