Segunda-feira, 25 de Maio de 2026
Vitor Pimentel
Vitor Pimentel
Empresário

“Diga aos portugueses para votarem noutro Governo”

Na Feira do Livro do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa sucumbiu às perguntas de uma cidadã sobre as contradições, incoerências e hipocrisias do Governo e do circo mediático envolvente à visita. 

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Em tempos de pandemia e num momento de notável frustração e de profundo embaraço, o Presidente da República retorquiu “diga aos portugueses para votarem noutro Governo”.

A frase ficará para a história. Se por um lado, o PR demonstra um desconforto latente face à atual maioria governativa, por outro revela a sua total incapacidade e indisponibilidade para a contrariar.

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito, em 2016, com base na sua exposição mediática e suportado por uma coligação de centro-direita que via nele o Presidente que Cavaco Silva não conseguiu ser. 

Afável, comunicador, enérgico e próximo dos cidadãos, o Presidente da República tem um carisma que não abunda no PSD e no CDS e uma imagem cuidadosamente preparada ao longo de décadas. 

No entanto, passados quase 5 anos, Marcelo ignorou essa coligação e colou o seu mandato à agenda e à mensagem do Governo socialista, tentando garantir facilmente a sua reeleição.

Esta estratégia foi vantajosa para o PS, pois conseguiu subjugar simultaneamente o Presidente de centro-direita e a toda a esquerda parlamentar foi a fórmula ideal para manter o poder.

Só que a jogada só funciona se todas as peças estiverem em sintonia e o segundo Governo Costa, com todas as suas circunstâncias e idiossincrasias, não tem conseguido agarrar o BE e o PCP.

Ao negligenciar a equidistância da sua função e a famosa “magistratura de influência”, o Presidente escolheu um lado, entrou no jogo político corrente e está a perder o controlo da situação.

A seis meses de eleições presidenciais, é tempo do “Presidente dos afetos” sair da armadilha em que se meteu, renegar aos oportunismos da “real politik” e voltar a ser o Presidente de todos os Portugueses.

O fim do Verão – e da consequente silly season – trouxe um momento raro de lucidez presidencial. Ainda bem.

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