Sábado, 18 de Setembro de 2021
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Do bloco de notas da semana

A quantos Presidentes dos EUA sobreviveu Fidel ou sobrevive Putin?

-PUB-

#1
A quantos Presidentes do Benfica ou do Sporting sobrevive Pinto da Costa? a quantos PM sobrevive Isabel II? A quantos reis e imperadores sobreviveu Talleyrand? Cada vez mais me convenço que o segredo está no denominador comum – o apreço respeitoso pelo ‘vinho fino’ ou ‘vinho generoso’.

#2
Um homem alcoolizado tropeça por uma rua. É filmado. O filme é partilhado. A miséria humana vê sem ajudar, a miséria humana assiste à probabilidade de queda, a miséria humana deixou assim o amigo expor-se. A miséria humana chama o homem, capitaliza com o erro do homem. A miséria humana faz do excesso motivo de gozo. Um homem só alcoolizado tropeça pelas ruas. Como tantos hoje nesses becos da vida. Um foi exposto. Aí percebemos que nas ruas desta vida há poucos amigos. Sobretudo quando um homem só alcoolizado quer perceber um caminho para si.

#3
A cidade e as pessoas de Vila Real são especiais. Os meus antepassados confundem-se com esta terra como vários trabalhos (alguns assinados por mim) no Arquivo Distrital de Vila Real o mostram. A cidade e as gentes de Vila Real são especiais. Desde logo, a realeza – o sonho de Dom Dinis pretendeu que fosse uma cidade do povo e que só ao Rei prestasse contas. Portanto, somos avessos a tiranos locais. Em segundo lugar, somos especiais porque, como Diogo Cão, nunca nos contentamos com o horizonte e precisamos de abraçar o mundo para sentir a grandeza da nossa terra. Em terceiro lugar, somos resilientes – sofremos os preconceitos mas não nos queixamos. Gerações e gerações de migrantes e emigrantes desta terra que acolheu desde o início árabes e judeus, que teve autos-de-fé, purgas e guetos o tem mostrado. Finalmente, se Camilo (no “Amor de Perdição”) punha a avó a considerar os carvoeiros de Lisboa mais asseados que a Nobreza da Almodena, já Eça (em “Contos”) considerava as raparigas de Vila Real as mais bonitas de Portugal. É uma terra consagrada pois, um altar de História – logo, de Saudade, como um Penedo sobre o Corgo nas Flores, mas também um espaço de Capitalidade por explorar que emprestou braços e armas a Nun’Álvares para tomar Chaves, que emprestou braços e armas a Wellington para saquear Ourense e Salamanca, que emprestou braços e armas ao Augusto Castilho para defender a inocência do Atlântico. Felizmainte a Bila fala saimpre pelo taimpó adeintro.

#4
Ganhe tudo o que puder, economize tudo o que puder e dê tudo o que puder – John Wesley (Século XVIII).

Mais Lidas | opinião

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.