Que nos lembre, nunca vimos um ano tão escasso de chuva. Os climatologistas vão-nos advertindo que esta tendência veio para ficar, neste sul da Europa, admitindo-se mesmo que o deserto do Saara possa estar a caminhar para norte.
Sendo esta a tendência, o que deverão fazer as sociedades que vivem à volta do mediterrânio? Em nossa opinião, armazenar a chuva que vier e quando vier, para a gastarmos quando as atividades agrícolas e outras dela precisarem. Isto remete-nos não só para o bom uso que temos de fazer da água, como para a necessidade imperiosa do seu armazenamento.
As sociedades ancestrais que nos precederam, sempre olharam para os rios, ribeiros e regatos, cuidando deles, domesticando-os, passe a expressão. Os açudes, as levadas, as pequenas barragens são disso exemplos. Muitos de nós ainda se lembram de como era o rio Douro, antes da construção das atuais barragens, que são hoje um elemento fundamental na geração de energia elétrica, para abastecimento de todo o norte do país, com impacto à escala nacional.
Porém, a nível local, muito continua por fazer, para o bom aproveitamento dos mais pequenos cursos de água, como o Corgo, o Cabril, o Pinhão, o Tinhela e mesmo o Tâmega.
Modestamente, recordo o contributo que dei, enquanto autarca, quando decidimos, logo na década de oitenta, construir duas barragens colineares no Alvão, uma outra no Sordo e um açude em Codessais – este mais destinado ao lazer, como ainda hoje sucede.
Empreendimentos como estes podem e devem ser continuados, porque quer o Corgo, quer o Cabril e outras pequenas linhas de água, deveriam estar já a ser equacionadas nas suas potencialidades hidroelétricas, de regadio e até de lazer, e prevenir os danos que um ano como o de 2022 está a causar, não apenas na agricultura, como na pecuária e na silvicultura, esta última, de que tanto se fala agora, porque os incêndios estão a fazê-la desaparecer.
Com tantos fundos comunitários, de que tem sido possível dispor (PRR e outros), mal se percebe que o inadiável represamento da cada vez menos água que nos cai do céu, não tenha continuado, aqui no nosso concelho, a exemplo do que se fez nos anos 80.
Aqui fica o nosso apelo aos autarcas, para cuidarem da pouca água que nos é enviada – de graça, como costumamos dizer. Será o nosso contributo para minorar os efeitos das mais que evidentes alterações climáticas.




