Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
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Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Entre pontes e reabilitações

Apresenta-se sempre, de uma forma amigável, qualquer intervenção num bem cultural com a amistosa palavra ou termo de “reabilitação”.

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Fica bem quando se trata de uma intervenção a realizar num centro histórico, num Monumento Classificado ou num Sítio ou Património Cultural. Talvez se tenha tornado demasiado banal o uso deste termo que tanto a sociedade se acostumou a ouvir sem qualquer maldade à vista. Entram doces palavras nos ouvidos da população sem provocar danos ou outros pensamentos negativos e acata-se com alguma distância uma obra que se diz que é boa para todos! Conhecendo o que significa o termo de reabilitação aplicado a um bem cultural, é no fundo modificar um recurso segundo padrões funcionais contemporâneos, envolvendo adaptação a um novo uso, ainda que se deva associar um outro termo que é restaurar, pois ambas ações, quando aplicadas ao património arquitetónico, conseguem obter vantagens a nível económico, otimizando as construções antigas (Barranha 2016 – Património cultural, conceitos e critérios fundamentais). Quais destes termos serão utilizados para a Ponte de Piscais, Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR 1ª série, nº 22? Também a sociedade em geral e a população local sabem que há intervenções que são necessárias realizar, quer para dotar de melhores condições de circulação e utilização, por questões de segurança e até para prolongar sua existência, tal como no passado assim o fizeram, fazendo com que chegasse aos nossos dias o que se considera como património. Talvez o que em geral se desconhece é que uma intervenção, por melhor intenção ou de boa-fé que tenha, que se realize num património classificado, está sujeito a um Relatório Prévio à Intervenção, segundo o Decreto 140/2009 de modo a “evitar casos de decisões desfavoráveis por falta de elementos instrutórios necessários à apreciação dos riscos e benefícios das obras ou intervenções nos bens culturais protegidos”. Será que todas as condições estão reunidas para tal obra de Reabilitação? Não obstante, como Reabilitar parece ser um termo pouco digno e sem grande chamariz político, não há como trabalhar num projeto de nova ponte de Piscais, na zona das Flores, segundo o autarca de Vila Real, pois imagina-se que dará mais “prestígio” para a placa de inauguração e também se faz um brilharete 2 em 1, ao contribuir para preservação da atual ponte! Afinal de contas, para quê reabilitar uma ponte que não querem dar uso, mas que serve para justificar a sua preservação através da construção de uma nova ponte ao lado. Será algo como fizeram na Ponte de Machados, em Almodena, em que colaram uma ponte à outra? Sonha-se com muitas pontes em Vila Real e tal como o Reabilitar que deixa a desejar estarão a habituar-nos a criar novas pontes para o futuro?

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