Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ex-seminário deve ser imóvel de interesse e concelho

Dia 21 deste mês vai decorrer o convívio dos antigos alunos do Seminário de Vila Real.

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Foi em 3 de outubro de 1986 que onze antigos alunos da primeira instituição do ensino superior, no distrito se deslocaram ao Cartório Notarial de Vila Real para outorgarem a escritura dessa Associação, com as siglas: AAASVR. Cometeram uma irregularidade ao não indicarem a sede social, pelo que não foi certificada nem publicada no Diário da República. Essa falha apenas foi corrigida em 2004, com a sua publicação no Diário, III Série, nº 51 de 1 de março.

Em 1997 foram as primeiras eleições, renovadas em 2001. Em 2005 a Assembleia e o ato eleitoral decorreram em Vidago. E assim por diante. Num desses convívios anuais decidiu-se que deveria fixar-se uma data; e, por unanimidade, essa data recaiu no 3º sábado de maio de cada ano. É por isso que depois da pandemia, que ainda por aí anda com vontade de ficar, a atual direção anunciou o ato eleitoral e o dia em que a «farinha de pau» é prato obrigatório. À hora em que escrevo esta crónica ainda ignoro o local. Mas presumo que decorra no próprio seminário.

Os contactos com os jovens da minha geração começaram a rarear. A lei natural vai levando os mais frágeis. E os que estão a seguir ou vão com os mais novos, ou desistem, porque os transportes públicos não são compatíveis com estas praxes.

O facto de estarmos a comemorar o Centenário da Diocese poderia ter sido um bom pretexto para uma espécie de despedida. Se pudesse participar, pretenderia apresentar uma proposta à Assembleia para que a direção proponha à Câmara de Vila Real que «reconheça o imóvel que foi Convento e Seminário, ou que venha a ser, «de interesse público».

A aceitação desta proposta viria manter, nas gerações mais jovens e naquelas que se seguirem, lembranças saudosas aos passantes e amigos da Casa de Formação que o Seminário foi desde 1930.

Fui autarca, a tempo inteiro, numa cidade que já é «Património Cultural da Humanidade». É berço da Nacionalidade e, reclama-se berço da Lusofonia.

Sei que esse estatuto não acarreta qualquer transtorno, encargo ou obstáculo para a deliberação, nem para a autarquia, nem para com o proprietário do imóvel. Lembro que quando deixei o seminário e soube que, entre 1921/1923, a Casa que serviu de semente, aos primeiros alunos, em Gralhas, Montalegre eu próprio propus à Câmara de Montalegre que sinalizasse esse imóvel como prédio de Interesse concelhio. Prontamente a autarquia deliberou nesse sentido. É hoje uma espécie de hotel rural. Apelo à Associação dos Antigos Alunos, para analisar esta proposta.  Fica o desafio aos meus companheiros mais novos do mesmo Seminário.

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