A ver vamos que receção vão ter os pedidos do Papa na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: que se perdoe a dívida dos países pobres, com a definição de uma nova arquitetura financeira mundial; a eliminação da pena de morte; usar uma parte do dinheiro que é aplicado no armamento para se criar um fundo mundial de combate à fome e se promover a educação nos países pobres. Não faltará quem considere que são pedidos sonhadores e ingénuos, mas com grande boa vontade parecem-me exequíveis e seriam grandes passos para se dar um pouco mais de paz ao mundo.
Dizia há dias a Dr. Zita Seabra, numa entrevista, que se há palavra que está gasta é a palavra paz, usada por tudo e por todos, posta ao serviço dos mais variados fins. Todos falam de paz, todos dizem perseguir a paz, todos sabem os caminhos para paz, mas a paz não se vê, de maneira que quase se deixou de acreditar na paz. Aqui às nossas portas, acho que já todos percebemos que a guerra da Ucrânia vai ter que se resolver na mesa das negociações, e é incompreensível que poucos apelos sejam feitos neste sentido, neste momento. Aliás, desde o início desta guerra, não se percebe porque é que foi feito tão pouco para a evitar. A Ucrânia tem direito a aderir à NATO? Claro que tem, mas o mundo é um jogo de forças. Ninguém espere ocupar as imediações de um cão feroz e ficar à espera que ele durma o sono dos justos na casota. A Europa estava avisada para os riscos da expansão da NATO. Basta ler o discurso que fez Vladimir Putin na Conferência de Munique em 2007.
Alguns defendem que o presidente russo tem intenções imperialistas, que quer reconstruir o saudoso império soviético, mas não parece muito convincente. Compreende-se que, iniciada a guerra, o Ocidente tinha de dar sinais de força e defender a Ucrânia, e que qualquer intento louco russo iria ter a devida oposição, mas, neste momento, a guerra arrasta-se e não se vê para onde caminha e que fim pode ter. O Ocidente, sentado nas suas excelsas certezas, limita-se a mandar dinheiro e armas. Estamos à espera que a Ucrânia vença o segundo exército mais forte do mundo? A Rússia continua a trepar, a bombardear e a conquistar território. Queremos mesmo a paz ou a guerra?




