Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Há 77 anos, Hiroshima e Nagasaki; hoje, Zaporizhia!

Tornou-se habitual, mas é imprescindível lembrar os horrores que os habitantes daquelas duas cidades japonesas viveram em 6 e 9 de agosto de há 77 anos.

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Dentro dos primeiros quatro meses após as explosões, morreram entre 90 mil e 166 mil pessoas em Hiroshima e 60 mil e 80 mil em Nagasaki; metade das mortes em cada cidade verificou-se no primeiro dia. Durante os meses seguintes, vários morreram por causa de queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões, agravadas pelos efeitos da radiação. Fizeram-se poemas e canções, mas a mágoa dos que sobreviveram permanece. O Expresso, na sua publicação diária, falou-nos no dia 10, de um sobrevivente, um menino de 5 anos, agora com 82. Teve a sorte de sobreviver à bomba atómica lançada sobre Nagasaki. “Os tios morreram carbonizados, o pai sucumbiu a uma leucemia cinco anos depois, ele tem um cancro grave”. Pois! As mazelas persistem por muitos anos, mesmo sobre os sobreviventes. Ora, essa criança, agora homem de 82 anos, nas palavras que dirigiu aos presentes na cerimónia que lembrou esse dia, longínquo, mas horrível e de triste memória, “em nome de todos os sobreviventes da bomba, subiu ao palanque no Parque da Paz e falou da Ucrânia”.

A Ucrânia vive agora os horrores da guerra. A Ucrânia, que desde há 36 anos tem vivido as consequências de um grave acidente na central de Chernobil

A Ucrânia vive agora os horrores da guerra. A Ucrânia, que desde há 36 anos tem vivido as consequências de um grave acidente na central de Chernobil, considerado o mais grave acidente nuclear da história. Por enquanto, dir-se-á. Porque os alertas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) devem ser considerados. Os alertas para riscos “muito graves” que se podem viver com possíveis ataques à maior central de energia nuclear da Europa, Zaporijjia. É a AIEA, mas também o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, quando apela ao fim dos confrontos e considera que “qualquer ataque a uma central nuclear é um ato suicida”.

Não bastam os apelos, os poemas e as canções em momentos de memória. Não chega a repulsa que se sente quando se leem testemunhos ou se visionam imagens horríveis, inesquecíveis desses momentos que marcaram a história do século XX. É imperioso ir mais além. A opinião pública deve fazer eco às afirmações de dirigentes de organismos internacionais e exigir dos governantes tudo o que é necessário para prevenir outros desastres semelhantes, quer em situação de guerra, quer no uso do nuclear para produção de energia. As consequências são tão graves que não se podem correr esses riscos. Em benefício de todos.

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