Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Inovações na Educação

Os temas da Educação eram recorrentes, numa determinada época, porque o líder sindical dos professores, o senhor Mário Nogueira, se ia encarregando de aparecer frequentemente nos ecrãs televisivos, a propósito de tudo e de nada.

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Instalado este governo, esfumou-se aquela figura, ou porque tudo corre de feição no processo educativo, ou porque os seus patrões políticos lhe impuseram uma mordaça.

Mas, nem tudo vai bem no mundo da Educação. Tema que conhecemos mal, pelo que nos vamos socorrer de quem tem opinião eventualmente coincidente com a nossa sobre o aventureirismo que os atuais inquilinos da Avenida 5 de Outubro vão proporcionando, tentando evidenciar os bons resultados, seja dos exames, seja da frequência escolar, que sempre se tem a tendência para empolar.

Chegou via Jornal Público (9 de agosto) a opinião de Santana Castilho – um professor do Ensino Superior, sobre a utilização de manuais digitais para uso em tablets, começando logo por comparar esta medida, com aquela do Plano Tecnológico de Educação do Governo Sócrates, que iria colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados em matéria de modernização tecnológica, de que os minicomputadores Magalhães foram a máxima expressão. Terão dado para encher os bolsos de alguns com os negócios para a Venezuela do Sr. Chaves e para Timor Leste. 

Pois bem. O que é que o Ministério da Educação propõe agora? A adoção de manuais digitais para uso em tablets, smartfones e demais gadgets do século XXI, que têm, conforme refere o autor, capacidade para armazenar muitos livros, protegendo os alunos do peso das mochilas. Porém já há reflexão que importa e desaconselha a substituição radical do papel pelo digital. E esclarece: Nos E.U.A fizeram contas e concluíram que o uso de tablets multiplicou por cinco o custo dos clássicos manuais. Porque são caros, partem-se facilmente e dificilmente têm arranjo. Ficam obsoletos facilmente.

Para além de outros problemas que são mencionados, aditou ainda o seguinte: há evidências científicas de que ler em papel facilita a compreensão e a memorização em comparação com a leitura digital e que a perda de motricidade fina que a aprendizagem da escrita com papel e lápis permite é danosa para o desenvolvimento das crianças.

Ou seja, parece estar-se perante um aventureirismo. É uma caldeirada tecnológica como este autor qualifica a política socialista para a educação: tendência notória para o facilitismo «eduquês», para o experimentalismo pedagógico irresponsável e para falíveis modernismos tecnológicos.

Enfim, a opinião de alguém que é profissional do setor e não calou a sua revolta, por perceber, que esta forma de governar por impulsos, sem sustentação científica já experimentada, não pode dar se não maus resultados.

Como todas a inovações, para que temos chamado a atenção noutras áreas, como as das políticas financeiras, que melhor conhecemos, que nos vão paulatinamente conduzindo para uma encruzilhada semelhante à de 2010/2011.

O país já se habituou a estes ciclos, sem dúvida.

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