A abertura do Mestrado Integrado em Medicina marca uma nova etapa na afirmação da UTAD enquanto instituição estratégica para o desenvolvimento da região. A novidade integra a oferta formativa de 2026/2027 da academia transmontana, que contará com 38 licenciaturas, mais um outro mestrado integrado e mais de 2.200 vagas distribuídas pelos diferentes regimes de acesso.
Para a vice-reitora para a Educação e Qualidade, Carla Amaral, o novo curso representa “um marco absolutamente fundamental” para a universidade e para a região. A responsável recorda que a vontade de criar Medicina na UTAD “não é nova”, remontando aos anos noventa do século passado.
“Há efetivamente falta de médicos no país e nota-se uma diferença muito significativa entre a distribuição dos médicos entre o litoral e o interior”, afirma, sublinhando que o curso surge também como resposta às necessidades das populações e às dificuldades de fixação de profissionais de saúde em territórios do Interior.
Primeiros 40
O curso arrancará com 40 estudantes, número que irá aumentando. A ligação à Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro é considerada essencial para o funcionamento do projeto, sobretudo pela forte componente associada aos cuidados de saúde primários e à prevenção. Nesse sentido, a universidade assinou protocolos com os municípios abrangidos pelas unidades de saúde familiar desta ULS.
“Se não houver centros hospitalares, cuidados de saúde primários e saúde pública associados, nenhum curso de Medicina pode funcionar corretamente”, refere Carla Amaral, acrescentando que a UTAD já está a trabalhar no reforço de futuras parcerias clínicas, antecipando o crescimento gradual do número de estudantes.
A vice-reitora admite ainda que a aposta na área da saúde poderá conduzir, a médio prazo, à criação de uma nova unidade orgânica dedicada às ciências da saúde e médicas. “Temos muita coisa na área da saúde: Medicina, Enfermagem, Psicologia, Ciências Biomédicas, Nutrição ou Ciências do Desporto. Eventualmente, fará sentido pensar numa escola própria”, admite.
Novos cursos
Além da Medicina, a UTAD estreia duas novas licenciaturas: Psicomotricidade e Tecnologia dos Espaços Verdes. A primeira aposta na reabilitação motora, emocional e cognitiva, enquanto a segunda pretende responder às novas exigências ligadas à sustentabilidade e gestão ambiental.
Atualmente, a universidade ultrapassa ligeiramente os nove mil estudantes e mantém taxas de ocupação superiores a 90% no concurso nacional de acesso. Cerca de 70% dos alunos são deslocados, realidade que reforça a importância da expansão das residências universitárias, cuja capacidade deverá duplicar já a partir de setembro.
Para Carla Amaral, o crescimento da instituição passa também pela inovação pedagógica, internacionalização e ligação à comunidade. “A missão das instituições de ensino superior é abrirem- se ao território e trabalhar com ele”, afirma.
A responsável destaca ainda a qualidade científica da academia, lembrando que a UTAD conta, atualmente, com investigadores reconhecidos entre os melhores do mundo nasrespetivas áreas e vários centros de investigação classificados como excelentes.
“Os estudantes chegam aqui e percebem que a relação com os professores é mais próxima. Essa cultura institucional é uma das grandes forças da UTAD”, assume Carla Amaral.






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