Domingo, 26 de Setembro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Nunca tantos souberam tão pouco

Em tanto tempo seguido e, envolvendo toda a população mundial, nunca todas as comunidades científicas souberam tão pouco, para o muito que existiu e, continua a existir, acerca das normas a seguir para evitar tantos mortos, tantos infetados e tantos problemas para Humanidade.

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É óbvio que uma pandemia com as caraterísticas da Covid-19 nunca terá acontecido. Houve várias do género. E esta coincidiu com o I século da Gripe Espanhola.

Mas só a visão fotográfica permite imaginar a gravidade e a dimensão da doença. Pouco mais se terá sabido com a medicação, apesar da evolução técnica, quer em meios específicos quer humanos.

Não será correto culpar o poder político pelos atrasos científicos, porque a eficácia implicou testes de longa duração.

Mas já não deverá desculpabilizar imposições e normas cívicas que requerem coerência, senso, justiça e pluralidade.

Um exemplo claríssimo deu-se com a proibição da venda de livros nas livrarias.

No dia 14 de janeiro, a Lusa distribuiu uma notícia na qual se afirmava: «Supermercados não vão poder vender livros, roupa nem objetos de decoração».

O jornal Público de 5 de fevereiro escreveu: «Hipermercados e Fnac podem vender discos, mas não livros – embora vendam alguns».

O Diário de Notícias de16/2/2021 adianta que «Livrarias que só vendam livros são as únicas que não podem abrir».

A verdade é que, a seguir a estas decisões do governo, chegou uma outra resolução do poder político que tomou uma interpretação que baralhou a opinião pública e chegou a exigir esclarecimentos do PR e do Primeiro Ministro. Esta última decisão transferia a venda de livros para os supermercados e grandes superfícies, proibindo as livrarias de vender aquilo que dá nome às empresas próprias desse produto.

Esta resolução veio perturbar a opinião pública que baralhou e entristeceu os livreiros, favorecendo os supermercados, estes sim, favorecidos com tudo o que dá lucro e que é, obviamente, uma decisão injusta, insensata e incompreensível.

O governo de António Costa habituou-se a exaltar tudo «como altamente positivo», quando ainda lemos e ouvimos que Portugal foi, durante semanas, o mais mortífero do mundo.

Um Primeiro Ministro que aprova e impõe coimas às livrarias que só vendam livros, encerrando-as quando deveriam estar abertas, como exceção, para promover a cultura, demonstra que não tem hábitos de leitura, que protege os fortes contra os fracos e que deixou cair a máscara do vazio cultural.■

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