Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

O Futebol (Rasca)

Sou um confesso adepto de futebol desde que me conheço. 

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Nasci em Coimbra, cidade da minha Académica, e sendo meu Pai um fervoroso academista, não admira que desde cedo tivesse frequentado os palcos onde a nossa Briosa nos deliciava com o seu futebol rendilhado à Cândido de Oliveira. 

Para não perder o contacto com a bola num tempo em que não havia TV, quando vinha de férias para Vilar de Maçada não deixava de assistir, sempre que podia aos jogos do Bila e aos torneios que, nessa altura, eram frequentes nas festas das aldeias e vilas transmontanas. A Académica faz parte da minha vida. Para além de adepto militante, sou sócio desde 1957 (60 anos) e fui dirigente nas épocas de 1968/69 e 69/70, quando era estudante de medicina. Em 1969, vivi por dentro a gloriosa final da Taça de Portugal Académica-Benfica que perdemos no prolongamento por 2-1 (2º golo de Eusébio), e em que os estudantes de Coimbra apoiando a Briosa, mostraram ao país a sua luta contra o governo de Marcelo Caetano. Este meu academismo confesso nunca vacilou perante os maus ventos da fortuna que levaram a Briosa à 2ª liga, como é o caso, na presentemente. Aliás, esta paixão academista tem raízes familiares que se vão perpetuando – meu Pai foi dirigente nos seus tempos de estudante, eu fui-o também e, hoje em dia, o meu filho cumpre esta missão familiar que o destino, em boa hora, nos traçou.

Em face deste meu gosto por este desporto, lamento sinceramente a forma como o futebol está a ser mal tratado no nosso país. Quem vier de fora e ligar as televisões; SIC Notícias, RTP 3, TVI 24 e CMTV interrogar-se-á se em Portugal haverá algo mais para além do futebol. Há toda uma fauna que se dedica a inventar, a especular e a discutir as questões mais sórdidas, laterais ao futebol. Vemos então, jornalistas, dirigentes e ex-dirigentes, ex-jogadores, treinadores no desemprego, comentadores profissionais, adeptos, curiosos, etc., todos com licenciatura na ciência futebolística, a debitar teorias e esquemas, a apresentar táticas e técnicas, a desenvolver cenários, a analisar casos e pseudocasos, a esmiuçar erros e pseudoerros dos árbitros. Os negócios/transferências de jogadores são na sua maioria inventados por treinadores, dirigentes e empresários, com a conivência dos jornalistas, a ver se pegam e para vender jornais. A ajudar este clima absolutamente delirante que se vive no nosso futebol, temos alguns presidentes e “comentadores oficiais” de clubes (o Benfica merece melhor que aquilo), que, em vez de ajudarem à pacificação, incendeiam o ambiente, e como consequência, temos claques selvagens e fora de controle em que abundam marginais, e por isso não é de admirar agressões a árbitros, ataques a autocarros dos clubes, pilhagens e até mortes!! Os treinadores que se preocupam em apenas comentar o seu trabalho, como Rui Vitória e Nuno Espírito Santo são criticados por essa postura mais ética e mais profissional pelos próprios adeptos do seu clube. 

Outro aspeto absolutamente surpreendente e incompreensível respeita às dívidas dos clubes e aos salários milionários, pagos a jogadores e a treinadores. Será possível um treinador ganhar 8 milhões por época? Como será o futuro dos três grandes com um passivo superior a 400 milhões de euros cada um? Confesso que não entendo esta fuga para a frente que só conduzirá ao abismo! Também não percebo como é que a maioria dos clubes da 1ª liga, modestos e sem receitas, consegue sobreviver. 

Finalmente, uma palavra para os presidentes dos três grandes. O Benfica, em alta, deve-o a LFV. No Porto, em queda, Pinto da Costa, que foi o melhor presidente de clubes de sempre, não quer reconhecer que está esgotado. O Sporting, com BC, não vai longe, fala de mais e não tem senso, por isso cada vez que abre a boca afunda-se e afunda o clube. Acusar os árbitros é fácil. Reconhecermos os nossos erros é doloroso e não dá votos!

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