Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
Ascenso Simões
Ascenso Simões
Deputado do PS na Assembleia da República

O incêndio de Alijó

O concelho de Alijó viu arder uma parte muito significativa da sua área. O levantamento feito pelas entidades oficiais, ainda provisório, indica que o fogo varreu perto de 5 mil hectares, sendo que um terço era de matos, outro terço se desenvolveu em terrenos agrícolas e o restante incluiu floresta e áreas semi-naturais.

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Em todo este território quase não há povoamentos de eucalipto, o que faz com que não estejamos perante uma ocorrência semelhante às vividas em Pedrogão ou Mação. 

Para um concelho como Alijó podemos estimar as enormes perdas e a necessidade de se proceder a um levantamento criterioso por parte das entidades da administração central. 
Em visita cuidadosa e sem promessas demagógicas às freguesias percorridas pelo incêndio, observámos, porém, algumas circunstâncias que merecem uma análise cuidada. 
Uma parte do território ardido já o havia sido, por outras duas vezes nos últimos quatro anos, sem que ninguém tivesse feito qualquer intervenção. Mas, olhando para as áreas abrangidas, poderemos perguntar onde esteve a autarquia durante todo este tempo. O aeródromo da Chã, dependente da Câmara, tinha matos que atacavam as propriedades privadas vizinhas, que arderam; o loteamento industrial, dependente da gestão municipal, tinha matos a entrar nas vias e nos lotes que quase arderam; as infraestruturas públicas, pontos de água e aceiros, essenciais ao combate, encontravam-se em estado lastimável. Todos estes trabalhos, desde que bem planeados, deveriam ser feitos pelos serviços da Câmara, dentro das suas rotinas e normais atribuições e competências. 

Mas mais relevante e preocupante é o facto de não existir, no município, um plano de defesa da floresta contra incêndios operacional, que é obrigatório; e uma organização de proteção e socorro ágil, até porque meios não faltam no concelho. 

Quando os portugueses olhavam, naqueles dias, para o senhor Presidente da Câmara Municipal de Alijó, estavam longe de pensar que uma parte relevante do que aconteceu decorria da inação do Vereador responsável pela Proteção Civil, Eng. José Paredes que, por muitas razões, não se viu ou ouviu perante o clamor público. 

Mas mais relevante, no momento em que se afigurava necessário acionar o Plano de Emergência Municipal, ninguém sabia como o fazer. É essa conclusão que se retira da fita do tempo e da forma como foi difundida a decisão. O Plano de Emergência destina-se a alocar meios e a determinar obrigações públicas a privados perante um acidente grave ou uma catástrofe. Mas a Câmara nada disso conhecia. 

Este incêndio vai obrigar os serviços do ministério da agricultura a fazerem um levantamento exaustivo dos prejuízos e a sua posterior verificação. Este trabalho só estará concluído depois das vindimas, como qualquer cidadão compreenderá. Mas há coisas que a Câmara Municipal não pode deixar fazer com urgência e essas obrigações devem ser já assumidas. 

Claro está, depois de tanto arder, sem que os atuais responsáveis se lembrassem do que importava fazer, é muito relevante que se vire a página e que se prepare o futuro sem desculpas e que se negue, de forma muito dura, o aproveitamento político e partidário do infortúnio que atacou uma parte dos cidadãos do concelho de Alijó.

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