Sábado, 30 de Maio de 2026
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O mundo das incertezas e das banalidades

Procurar explicações faz parte da nossa natureza. No mundo conturbado de hoje, vivemos angustiados por não encontrarmos respostas para as dúvidas existenciais que nos perseguem desde tempos imemoriais.

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Quem somos? Para onde vamos? Que direção seguir? Como ultrapassar problemas e dificuldades? Como dormir e acreditar que há um futuro para a humanidade?

O que nos leva a questionar é o desejo imperioso de construirmos a nossa identidade, a necessidade de encontrarmos um sentido para o sofrimento, um significado justo para a própria vida, uma razão plausível para as guerras e as ameaças à sobrevivência da nossa espécie.

Já na antiguidade clássica, os pensadores usavam o método de perguntas e respostas para estimular a mente e a memória, criando um ambiente favorável à formulação de novas ideias e à evocação de conhecimentos latentes.

Perante os dilemas e questões que nos interpelam diariamente, ninguém pode decidir por nós. Cabe-nos refletir, desconfiar das verdades absolutas, desafiar as explicações convencionais. As respostas que procuramos devem ser descobertas por cada um de nós.

Aqueles que opinam sobre matérias delicadas sem fundamentação adequada deveriam ter mais prudência. O discurso responsável exige conhecimento sólido e reflexão crítica. A interrogação é o fio condutor do pensamento humano e, para questionar com propriedade, é necessário possuir uma base de conhecimento que permita analisar, rebater ou sustentar uma resposta.

Aprender a pensar decorre da nossa capacidade de observação. Um dos grandes problemas da sociedade contemporânea é a estreiteza de horizontes, a falta de tempo ou de vontade para interpretar o que nos rodeia. Num mundo altamente competitivo, em que se valoriza o talento técnico em detrimento da racionalidade, impera uma mentalidade pragmática e imediatista, pouco favorável à argumentação lúcida e esclarecida, à tomada das boas decisões…

Somos, em grande parte, vítimas dos sinais dos tempos, mas não estamos isentos de responsabilidade e culpas. Muitas vezes, aceitamos passivamente os paradigmas sociais e culturais impostos, por falta de conhecimentos que nos permitam contrariá-los, melhorá-los ou superá-los.

O verdadeiro desafio é sair do rebanho e usar a cabeça. Remar contra a corrente, questionar ideias dominantes e preconceitos vigentes exige, antes de tudo, a coragem de olhar para nós próprios.

Nunca se leu tão pouco e se escreveu tanto sobre nada. Nunca se falou tanto da vida alheia. Da nossa, há sempre quem fale sem nos conhecer, muitas vezes distorcendo factos e criando narrativas que nada têm a ver com a realidade. Futilidades, voam e multiplicam-se.

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