No início o presépio era representado num estábulo onde a tradição diz que aí nasceu Jesus, mas com o rodar dos tempos, os presépios passaram a ser representações em miniaturas da cidade de Belém e as montanhas alteram com pequenos povoados, onde casas minúsculas aparecem ao lado de ruínas de velhos castelos ou palácios. Com areia fina improvisavam-se caminhos sobre uma verde camada de musgo. São também representadas cenas da vida comum das pessoas: mercados de rua, onde homens e mulheres de pés descalços vão vender ou comprar frutas, galinhas, ovos. Também se pode ver paralíticos a olharem para o céu à espera da misericórdia do Messias.
Em pano de fundo, um coro de anjos que parecem voar numa infindável cascata de céu azul.
E lá estão os pastores e os Reis Magos com os presentes que levam ao Menino. Em primeiro plano a manjedoura onde a figura do Menino aparece em volta de alvos panos com José e Maria em atitude de contemplação.
Em Portugal, o culto do presépio atinge o seu apogeu, na metade do século XVIII. Em pleno período Barroco.
Podemos dizer que os presépios portugueses apresentam um muito apreciado sentido artístico, patente na perfeição dos bonecos que os ornamentam, saídos de mãos hábeis, consagrados uns anónimos na sua maior parte.
A história do primeiro presépio remonta a S. Francisco de Assis que se lembrou de armar um presépio, para que todos pudessem ver a extrema pobreza no meio da qual nasceu o nosso Salvador. Encontrando-se em Roma em 1223, deu a conhecer a sua intenção ao Papa- Honório III- que concordou e apoiou a ideia. S. Francisco passou à execução falando com um seu amigo que era dono de uma grande propriedade no bosque de Greccio, e aí fez a reconstrução do presépio.
As figuras da Virgem Maria e de S. José eram de madeira, mas os animais eram autênticos, como autênticos, os pastores recrutados na região.
Foi aí que nasceu o presépio, agora com mais figuras mas igual objetivo: o de não esquecer a extrema pobreza em que nasceu o Menino Deus.
Em Vila Real, é já tradição a exposição dos presépios concebida pelas 20 juntas de freguesia do concelho. Iniciativa louvável inserida no programa “Bila Natal”. E de todos os lados chegam pessoas vislumbrando o presépio mais bonito e real. Naturalmente as opiniões dividem-se mas todos glorificam o trabalho de cada freguesia. Em muitos, o Menino está deitado brilhando e luzindo numa paz total e abençoada. E ali, o Mundo parece tranquilo sem guerras e sem mortes, sem injustiças, apenas carregado da luz da esperança e do Milagre da Vida.




