Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os incêndios e os quintais

Não me sinto muito motivado para tratar desta questão dos incêndios florestais, exatamente porque não desejo incluir-me no role de “tudólogos” que proliferam em momentos como os que se têm vivido nas últimas semanas.

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A minha experiência, certas afirmações de responsáveis de áreas que têm a ver com a problemática e alguns textos que, de vez em quando aparecem de conhecedores da matéria motivaram a esta partilha com os leitores do meu “Visto do Marão”.

Aquando do incêndio que percorreu território da cidade de Palmela (chamam-lhe rurais), o Vice-presidente daquele Município, logo pela manhã, com o incêndio ainda sem a dimensão que viria a atingir mais tarde, quando viu uns microfones à frente, logo declarou “estar-se perante uma tragédia”. Bom, não foi deliberado, naturalmente. Mas pouco tempo depois, o presidente dos Bombeiros locais achou-se no direito de elevar os “soundbytes” e toca a descarregar na Secretária de Estado e no Primeiro-ministro. Estas peças da comunicação social logo me trouxeram à memória aquela reunião do Grupo de Acompanhamento do Plano Distrital de Emergência, nos já distantes idos de 2005, que um presidente de Câmara fez questão de presenciar, estando ali o respetivo Vereador do Pelouro. Para o fiscalizar, ou para intimidar os restantes? A missão de que todos estavam investidos não deixou que o interesse particular se sobrepusesse ao interesse do distrito. O espírito miudinho, com vistas mais curtas esteve lá. Tal como aconteceu por Palmela, recentemente.

Estes momentos obrigam-nos a uma reflexão. Se há assuntos que motivam comentários e fazem vir ao de cima “saberes escondidos”, este é um deles. Por isso me senti positivamente chocado com duas situações que me surgiram: a do jovem Paulo Cunha, nas televisões, numa atitude calma, mas determinada, a salvar as ovelhas, o sustento do avô e um texto do Professor Paulo Fernandes da UTAD, a questionar-se a ele e a nós a propósito da formação que tem sido dada aos engenheiros florestais, “uma silvicultura filha de um clima pouco amigo do fogo, o da Europa Central”, exportada para o mundo inteiro, mesmo para o que ele chama de “piro-climas como o nosso”. Texto que me levou a sugerir que o tema que ele aborda seja trabalhado num momento de reflexão em que participem interessados aos mais diversos níveis: decisores a nível nacional e local, intervenientes na prevenção e no combate, todos eles verdadeiramente empenhados em soluções e não em ouvir-se a eles próprios a defender o seu quintal.

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