Domingo, 26 de Setembro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

P’ra pior já basta assim

No próximo dia 25, faz 47 anos que ocorreu o golpe de Estado

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No próximo dia 25, faz 47 anos que ocorreu o golpe de Estado que a “esquerda” ideológica saudou e que teria que dar-se, mais cedo ou mais tarde, já que Portugal não poderia suportar as guerrilhas internas e externas que eram visíveis e oportunas. Mas, volvidos 47 anos, temos duas pandemias a enfrentar: a sanitária que mata e a corrosiva que corrompe as consciências, os valores e a própria verdade.

Nuno Lobo acaba de escrever um oportuníssimo texto sobre o Povo e a direita na publicação observador que cobre o amplexo da Lusofonia. Nele se diz que “o povo tem vindo a acumular um sentimento de desilusão face à evaporação dos valores e corrupção das instituições. São poucos os portugueses que não perderam a confiança nas elites que conduzem os destinos das nossas principais instituições políticas e económicas. Não passam dois meses seguidos em que não venha a lume mais uma notícia sobre um qualquer poderoso que tirou indevidamente proveitos pessoais – para si, para a sua família, para amigos – em nome da função dirigente que exerce ou das pessoas que deveria representar”. E exemplifica: “quando ouvimos o número ‘1,7 milhões’ pensamos no dinheiro que, segundo a aritmética jurídica do juiz Ivo Rosa, José Sócrates andou a “mercadejar” com o amigo Santos Silva. Mas ‘1,7 milhões’ é também o número de pobres em Portugal, calculado pelo estudo que a FFMS acabou de publicar. Se acrescentarmos que o estudo vai até ao ano 2018, anterior ao desastre económico provocado pela pandemia, facilmente percebemos que hoje em dia os pobres são muitos mais – tal como muito mais é o dinheiro envolvido na Operação Marquês”.

Perderam-se a vergonha e o medo. A linguagem do futebol prevalece sobre a lógica dos valores. “O que hoje é verdade amanhã pode ser mentira”. Ana Gomes, Henrique Neto, Fernando Medina e o próprio António Costa, cujas fotos, de braço dado, continuam a correr em todas as redes sociais, já foram apodados de “canalhice”. Esse vocábulo e outros idênticos foram ditos e reditos em todas as redes sociais. Provavelmente todos aqueles que o visitaram na cela 44, da cadeia de Évora e que fizeram, por ali, acampamento, ou noutras manifestações públicas, a aclamá-lo, estarão hoje arrependidos ao saberem que José Sócrates os trata desta maneira. Infelizmente, o mundo está em convulsão permanente. E quem vê caras não vê corações.

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