Quarta-feira, 16 de Junho de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Quatro Congressos Transmontanos num século

Em 1920, por iniciativa da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douto de Lisboa, realizou-se o I Congresso Transmontano

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Em 1941, entre 6 e 13 de setembro, teve lugar o II. Em 2002, 61 anos depois, decorreu o III e, em 2002, numa espécie de requiem, a Casa regional que teve a ideia acabou por fechar, à imagem dos funerais de quem morre com Covid-19, a série dessas movimentações regionalistas.

Incrivelmente não houve alma viva que em 2020 tivesse a ideia de invocar essa efeméride secular. Esperei até à última semana do ano, para louvar quem fizesse a diferença, numa espécie de bairrismo por Trás-os-Montes e Alto Douro. Essas quatro gerações que levaram a bom termo os quatro congressos, prepararam o terreno para os atuais autarcas, políticos, deputados e dirigentes partidários terem melhores condições. Estes políticos que temos, gerados na confusão concorrencial de ver quem mais alto sobe, não tiveram coragem, nem a dignidade, de invocar nomes de quem sonhou essas manifestações. Possivelmente não têm nas bibliotecas os livros, as monografias e as fotos desses antepassados, que tanto fizeram pela Região. A ignorância histórica anda arredada do passado, como se fosse o “Covid-1920 a 2020”. Ferreira Deusdado, Miguel Torga, António Jorge Nunes (este ainda vivo, mas o «maior» do III congresso) foram nomes corajosos, símbolos vivos dessas gerações. A Casa Regional de Lisboa – a Mãe de todas as «Transmontanas» da Lusofonia, sempre deu aos residentes, exemplos de como todos devemos pressionar o poder absoluto do Terreiro Paço, para dar aos «provincianos» aquilo que lhes pertence. O atual presidente teve a coragem de lançar a ideia de realizar o IV congresso, o que conseguiu, em tempo e com meios limitados. Valeu a intenção e a persistência que prolongou até perfazer o século que agora se cumpre.

O investigador Elísio Amaral Neves, consultor cultural e turístico, com provas dadas, em tantíssimas publicações e exposições, sabendo ele que eu fui um obreiro obstinado para que o III congresso se fizesse, como o demonstrei ao longo de vinte anos de jornalismo, teve a gentiliza de me enviar, como cartão de Boas Festas, uma pagela, referenciando a Pátria – jornal que então se publicava. Essa pagela em quatro páginas referenciava outras tantas fotos de: Vila Real, Chaves. Régua e Torre de Quintela. O título era: 1º Congresso Regional Transmontano.

Oxalá a pandemia acabe. E aqueles que ainda sentem o Transmontanismo no sangue se inspirem nos antepassados do século.

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