Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
Luís Tão
Luís Tão
Empresário

Um “elefante na sala”? Ou dois?

Este novo ano, politicamente, será um ano desafiador e interessante de seguir. 2024 definiu caminhos que vão determinar muito do que será 2025.

Há eleições autárquicas, tem início a pré-campanha para as presidenciais de janeiro/26, temos um governo com o Orçamento aprovado em plenas funções e uma Assembleia da República no exercício regular das suas atribuições e competências.

Os discursos de Ano Novo foram centrados na Economia, no PRR, no investimento público. Naturalmente poder-se-iam juntar os crónicos problemas da desertificação do interior, da dificuldade de emprego, da saúde, da educação. Mas, para além destas, há duas preocupações que vão destacar-se ao longo do ano: as consequências dos problemas da imigração e da habitação. As duas estão intrinsecamente relacionadas. A imigração exerce pressão adicional sobre o imobiliário, especialmente em cidades que recebem grande número de pessoas. Políticas habitacionais inclusivas e investimentos em infraestruturas serão, pois, essenciais para equilibrar essas dinâmicas. Depois, sendo a segurança um dos maiores ativos do nosso país, a necessidade de promover uma imigração regulada, “nem de portas fechadas nem de portas escancaradas” é imperiosa. Os partidos como o Chega têm usado o tema da imigração como ferramenta para mobilizar sua base eleitoral, particularmente em regiões com altos índices de desemprego e acesso limitado a recursos. O desafio será equilibrar a necessidade de imigração para sustentar a economia e abordar as preocupações legítimas de parte da população.

2025 será um ano decisivo para a afirmação dos principais partidos políticos em Portugal, no sentido de perceber se a mudança de paradigma que se verifica hoje no parlamento, completamente dividido, é para manter e consolidar, ou se há um regresso ao passado, em que a política portuguesa se dividia apenas em “dois blocos”.

Se 1.169.836 eleitores votaram em 2024 no Chega, elegendo 50 deputados, significa que os partidos ditos do “arco do poder” não conseguiram cativar esses mesmos eleitores ou, na maioria dos casos, ainda os deixaram sair das suas hostes. O crescimento da influência do Chega representa um desafio para o PSD e PS. Para mitigar o risco de perda de eleitorado, devem estes adotar estratégias discursivas e programáticas que respondam às preocupações e frustrações dos eleitores, sem ceder ao populismo e aos extremos. Mudar práticas, modernizar-se, ir de encontro às reais necessidades das pessoas, priorizando esse objetivo, em detrimento do interesse, táticas e estratégias partidárias. Uma comunicação autêntica e consistente também é necessária!

-PUB-

Muitos que votaram no Chega, são os mesmos que hoje apoiam Gouveia e Melo na sua candidatura à Presidência da República, apesar de não se lhe conhecer, à data, qualquer ideia sobre o país ou sobre a União Europeia, por exemplo. Mas isso vem provar que as pessoas estão dispostas a votar para mudar, porque estão cansadas dos mesmos, e é isso que deve preocupar os principais dirigentes políticos, a nível local, regional ou nacional.

Porque se há ascensão do perfil de Gouveia e Melo nas sondagens, deve-se ao cansaço do perfil de presidente que está a ser Marcelo. E estes “elefantes” não se conseguem “tirar da sala”. É preciso saber conviver com eles. Parece haver quem queira fazer como a avestruz, e “enfiar a cabeça na areia”. Daqui a um ano veremos se estamos melhor.

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