Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
Paulo Reis Mourão
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

2025 – o ano de Trás-os-Montes

Este ano de 2025 é um ano que se afigura repleto de desafios, mas também de oportunidades para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Em primeiro lugar, a região já percebeu que os grandes investimentos não são conseguidos porque basta pedir. É necessário todo um trabalho (por fazer) que permita complementar o esforço apadrinhado pela CCDR-N bem como os lobbies anémicos que alguns grupos mais focados no investimento regional têm por São Bento. Exige-se a existência de uma Agência de Promoção de Investimento de interesse regional, numa ação concertada dos vários ‘players’ (públicos e privados), num discurso convergente e numa estratégia eficaz.

Em segundo lugar, o ciclo eleitoral autárquico (sempre fértil em investimentozinhos oportunistas e eleitoralistas) mexe (ainda) algo nas populações. Há renovação de visões, de expectativa de oportunidades e de leituras dos problemas e das soluções feitas para os espaços e para as comunidades. Ainda assim, e manifestando uma profunda simpatia por todos os que se perfilam para disputar os lugares a sufrágio (uma tarefa cada vez mais difícil para os diversos partidos, que muitas vezes têm de recrutar cidadãos residentes nas Áreas Metropolitanas do litoral), existe também um certo sentido de dramatismo em todos eles – porque é muito mais fácil discutir problemas e soluções quando os orçamentos municipais (proporcionais à população residente) são três, quatro ou dez vezes os orçamentos possibilitados aos concelhos da região.

Em terceiro lugar, os tradicionais setores turísticos e endógenos (como a vinha e a olivicultura) têm a resposta crescente da mão de obra estrangeira, que convém saber preparar e acolher. Se o país precisa de uma imigração qualificada e integrada, mais as regiões esquecidas o necessitam. Além disso, o turismo continua a necessitar de uma estratégia que retenha valor na região.

Temos depois a questão do parque habitacional, sobretudo nas cidades da região, pressionadas pelas instituições de Ensino Superior que trazem milhares de alunos e famílias para Trás-os-Montes. Parece paradoxal a paridade dos preços praticados na região com perda populacional face ao litoral, por exemplo. Ainda que se perceba uma convergência no perfil dos arrendatários em ambas as situações, seria expectável uma maior disponibilidade de casas disponíveis no interior do país.

-PUB-

Ainda assim, 2025 será bom porque será contribuído por todos. E, acreditem, o contributo de todos nunca será demasiado para esta região que merece o melhor de nós.

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