Domingo, 27 de Novembro de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Coesão Territorial e o Governo

Manuel Carvalho, diretor do jornal “Público”, escreveu a propósito da composição do novo governo um editorial: "Andar Devagarinho”.

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Sob este título afirmou: que nem a dúvida consegue dissipar a evidente sensação de que este país está condenado a andar devagarinho, por lhe parecer que este elenco governativo, analisando a sua composição, não inverte a pouca ambição dos últimos executivos governamentais.

Uma clara evidência! E o novo governo será adequado para a atual conjuntura do país, perguntamos nós?

O que esperar de uma equipa, que é, no fundamental, composta pelas mesmas pessoas que compõem o núcleo duro de Costa desde que chegou ao poder? Conseguirá resultados diferentes daqueles que logrou obter até agora? “Pode alguém ser quem, não é”, como cantava o Sérgio Godinho?

Quando chegou ao poder em 2015, Portugal era o 18º país com maior poder de compra na União Europeia. O país caiu para a 21ª posição estando apenas um ponto percentual acima da Roménia. Torna-se necessário olhar para os fatores externos, para perceber o nosso empobrecimento.

Debrucemo-nos nesta análise, sobre um conjunto de razões evidentes.
Temos grande dificuldade em entender a existência de um ministério denominado de Coesão Territorial, quando a sua atividade poderia ser inserida em vários ministérios, que a nosso ver, também devem contribuir para essa coesão.
Para que servirá um ministério com esta designação?

Não demos pela sua existência nos governos anteriores. E, digamos em abono da verdade, que também não vimos no nosso território de Trás-os-Montes e Alto Douro, quaisquer ações de promoção de coesão. No domínio da agricultura, alguém me ajuda a identificar algo de inovador? E nas florestas? Temos insistentemente chamado à atenção para a necessidade do represamento da pouca água que vai correndo pelos cursos de rios e regatos, indispensável para transformar o sequeiro em regadio, sem resposta. Esquecemos a via-férrea, que continua a morrer. Como podemos falar da população, se continuamos a esquecer a sua existência?

Tudo exemplos que integram a coesão social. No entanto, estas políticas estão atribuídas ao Ministério da Agricultura, do Ambiente, das Infraestruturas e por aí adiante. Para que serve então um ministério específico para a Coesão Territorial, se as suas ações serão executadas por variadíssimos departamentos de outros ministérios?

Porém, não temos dúvidas, em afirmar, que a haver um ministério para a Coesão Territorial, teria de ser sempre um superministério. Assim, estará sempre condenado a nada fazer.

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