Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

A Fé na Ressurreição

Não tenho a mínima dúvida de que a fé ressurreição de Jesus Cristo é um grande desafio para o homem contemporâneo, habituado que está a submeter tudo à sua exigente racionalidade e a só dar aprovação àquilo que vê diante dos olhos e se impõe como evidência.

Acolher um acontecimento que desafia as leis da física e da química mais básica, que nos tira do campo do sensível e do tangível, que apela para outras formas de ser e de estar que não constam na cartilha científica e se submeta às suas divinas regras, facilmente pode ser arrumado na pasta das lendas e dos mitos ou das belas invenções da imaginação e da alucinação humana, até relegado para o campo do nosso fascínio pelo maravilhoso e o miraculoso.

Só que este entendimento enfrenta alguns obstáculos e não pode deixar de ser réu diante do nosso espírito crítico, como já tantos biblistas e historiadores o fizeram admiravelmente. Como foi possível que um acontecimento desta envergadura não tenha sido logo morto à nascença, desmascarado logo que foi anunciado, severamente investigado e denunciado, se era uma impostura ou uma fabricação dos primeiros discípulos de Jesus? Como compreender o martírio a que se submeteram todos? Alguém morre por uma mentira, por uma falácia ou por uma historieta que alguém, na última da hora, se lembrou de inventar e disseminar? Temos de concluir que algo de muito sério e verdadeiro aconteceu, experimentaram algo de novo que os impressionou profundamente, devem ter presenciado uma nova existência de Jesus Cristo que os tocou e transformou indelevelmente e os fez testemunhas incansáveis da ressurreição.

O erudito bíblico Anthony J. Maas afirma: “as testemunhas de Jesus ressuscitado viveram num tempo em que qualquer tentativa de enganar teria sido facilmente descoberta e que não tinham nada a ganhar nesta vida mas tudo a perder, com o seu testemunho, cuja coragem moral, demonstrada na sua vida apostólica, só pode ser explicada pela sua íntima convicção da verdade objetiva de sua mensagem. Novamente, o fato da Ressurreição de Cristo é atestado pelo eloquente silêncio da Sinagoga, que fizera tudo para impedir uma fraude, que poderia ter facilmente descoberto a fraude, se tivesse havido uma, que opôs apenas testemunhas adormecidas ao testemunho dos Apóstolos, que não puniu a alegada negligência da guarda oficial e que não pôde refutar o testemunho dos Apóstolos. A ascensão da Igreja sem a Ressurreição teria sido um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição.”

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