Quarta-feira, 6 de Julho de 2022
Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A União Soviética e a segunda Guerra Mundial

Existe a convicção, nalgumas mentes “brilhantes”, de que a derrota da Alemanha nazi foi obra exclusiva da União Soviética, que vem assinalando, anualmente, o 9 de maio de 1945 como o dia da grande vitória patriótica do Exército Vermelho.

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Se nos dermos ao cuidado de ler a obra biográfica intitulada Estaline, A Corte do Czar Vermelho, da autoria de Simon Sebag Montefiore, facilmente, concluímos que o contributo reconhecido da ex-URSS, na derrota dos nazis, se deveu, em grande parte, ao apoio logístico da América e Reino Unido, fornecendo aos soviéticos equipamento militar de todo o tipo e combustíveis de que careciam, sem o qual não seria possível levar de vencida a máquina de guerra alemã. 

Ao situarmo-nos no contexto da época, é preciso referir que Estaline, depois da assinatura do pacto Germano-Soviético, em agosto de 1939, conhecido por pacto Ribbentrop-Molotov, nunca acreditou que Hitler, alguma vez atacasse a União Soviética. A sua crença no Führer, era tanta que, quando já estava em marcha a Operação Barbarossa, numa reunião com alguns camaradas do Politburo dizia que era preciso compreender que a Alemanha nunca atacaria a Rússia por sua iniciativa, advertindo que se provocassem os alemães na fronteira, transferindo tropas para lá sem a sua autorização, iriam rolar cabeças. Esta predisposição de Estaline conjugada com a purga levada a efeito no alto-comando do Exército, com o fuzilamento de dezenas de oficiais, dos quais se destaca o general Tukachevski, o mais prestigiado e competente oficial das forças armadas soviéticas, puseram a nu as fragilidades do Exercito Vermelho para enfrentar a ofensiva avassaladora dos alemães.

As viagens de Winston Churchill e Anthony Eden, ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, e de altos responsáveis dos EUA, a Moscovo e as digressões de Molotov, comissário soviético para as relações exteriores, por Londres e Washington, em plena guerra, visaram estabelecer e fortalecer esse apoio vital que o próprio Estaline reconheceu como um contributo decisivo para o seu esforço de guerra.

Outro facto não despiciendo, mas desconhecido do grande público, prende-se com o comportamento do Exército Vermelho, durante a invasão da Alemanha. Num ato de pura vingança e selvajaria, dois milhões de mulheres alemãs foram violadas, inclusivamente, as mulheres russas recém-libertadas dos campos nazis. Atrocidades, a todos os títulos condenáveis, que os exércitos americano e britânico se abstiveram de praticar.

A derrota da Alemanha nazi resultou, pois, de um esforço conjugado dos Aliados, onde se incluía também a ex-URSS.

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