Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Abram as janelas

Preparava o meu Visto desta semana quando o Facebook me trouxe um post do Cardeal Tolentino de Mendonça. Lembrava uma das afirmações do Papa Francisco na entrevista que concedeu a Maria João Avillez para a TVI, quando perguntou a mensagem que enviava aos Bispos portugueses. Cito de cor.

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Na essência, corresponde à que consta na transcrição do post que refiro – quando a entrevistadora «pede ao Papa Francisco uma luz para tempos difíceis, ele deixa este desafio: “Olhem para a janela. E perguntem-se: ‘A minha vida tem uma janela aberta?’ Se não tiverem, abram-na o quanto antes. Não tenham vistas curtas. Saibam que estamos a caminhar para o futuro, que há um caminho. Olhem para o caminho.”» Acrescento: «olhem para o horizonte».

Ver mundo para ver mais além! Perscrutar os sinais dos tempos para encontrar respostas para os tempos atuais. Manter constante atenção para que a janela continue aberta. O Papa Francisco tinha presente, naquele momento, as próximas Jornadas Mundiais da Juventude, a realizar em Lisboa. Mas tais afirmações encaixam bem no momento que a Igreja tem vivido em Portugal. A janela que foi aberta com a constituição da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais contra Crianças na Igreja em Portugal deve manter-se aberta. Essa e outras. É o caso do Processo Sinodal, preparatório, a partir das comunidades locais, do XVI Sínodo dos Bispos. Se as janelas se mantiverem abertas, se a Igreja for cada vez mais “o povo caminhando junto”, o risco de exclusão, no seu interior, atenuar-se-á, seguramente, e as correntes que puxam para trás terão mais dificuldade em se afirmar.

E muito embora as notícias recentes possam induzir uma ideia negativa, os exemplos positivos também não faltam. É bom encontrar nas redes sociais padres e bispos que não se cingem aos espaços mais ou menos abertos dos locais de culto para passar a mensagem e dar testemunho. Antes sabem fazer bom uso das redes também para esse efeito. O Pe. Américo Aguiar – Bispo Auxiliar de Lisboa – e o Pe. Ricardo Esteves são bons exemplos. Outros, mantêm colunas em jornais de âmbito nacional ou regional e não se inibem de analisar os problemas de hoje e até de tomar posição face aos mesmos. É o caso do Pe. Anselmo Borges, Professor de Filosofia na Universidade de Coimbra e do Pe. Victor Pereira, aqui n´AVTM. O importante mesmo é manter as janelas abertas, com horizontes bem rasgados, mas de igual modo com capacidade de ouvir e compreender os sinais que podem entrar através delas.

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