Em Portugal a situação dos trabalhadores degrada-se pela ação do capital e dos governos ao seu serviço, com a perpetuação e agravamento de uma profunda desigualdade social, que coloca milhares de trabalhadores no limiar da pobreza, em oposição à acumulação de lucros dos grandes grupos económicos. Os salários e a precariedade que persistiram deixam milhares de trabalhadores numa situação vulnerável.
Dizem que Portugal apresentou a economia com o melhor desempenho no ano de 2025, no entanto os sem-abrigo já são mais de 14 mil no nosso país, o número aumentou 10% em apenas um ano. O desemprego e a precariedade estão entre as principais causas.
2025 foi o ano dos problemas habitacionais que é urgente resolver. Segundo Bruxelas, as casas em Portugal são as mais sobrevalorizadas de toda a UE.
As despesas essenciais explodiram enquanto o salário ficou praticamente igual.
Somos o país com mais dificuldade em aquecer as casas, mais de 25% das pessoas não consegue.
Portugal tem o gás para as famílias mais caro da UE, aumentou mais de 80% nos últimos três anos.
Os preços das telecomunicações tiveram o maior aumento em 30 anos.
Portugal é dos países da UE com o cabaz alimentar mais caro e o país que mais gasta em alimentação.
As desigualdades escolares persistem e afetam os alunos mais desfavorecidos.
75% das crianças em situação de pobreza vivem em famílias que têm trabalho.
Portugal regista o 2º maior consumo do mundo de fármacos para insónias.
A desigualdade salarial entre homens e mulheres aumenta à medida que se avança na carreira e a diferença tem aumentado nos últimos anos.
Os trabalhadores não sentiram o crescimento do país, só as contas a apertar!
No entanto, o governo afirmou que a proposta da CGTP-IN de 1050 € de SMN para 2026 era uma proposta sem pés nem cabeça e fixou o SMN nos 920€.
O primeiro-ministro pede aos portugueses para terem a mentalidade do Ronaldo. Ele não sabe que a motivação nasce da valorização, de aumentos salariais justos e não de salários miseráveis? Exigir motivação sem recompensa é um insulto. Vem falar de Cristiano Ronaldo para esconder a crise nos hospitais?
Quantas trabalhadoras acumulam trabalho em casa e na rua, educação dos filhos e auxílio e assistência a pais idosos, sem qualquer tipo de apoio? Quantos trabalhadores não têm ainda mais resiliência do que o Ronaldo face a salários baixos, precariedade, carga horária excessiva e horários inflexíveis? Quantos continuam a acreditar firmemente no seu potencial embora suportem décadas de estagnação profissional?
Precisamos de menos frases de motivação e mais metas quantificáveis: quantas horas máximas de espera numa urgência em 2026? Quantos médicos e enfermeiros novos contratados? Quantas casas acessíveis construídas, com que rendas, para que salários?
2025 foi também com o mesmo descaramento que este governo apresentou o pacote laboral mais agressivo para os trabalhadores, e o qual mereceu por parte dos trabalhadores a sua total rejeição.
A maioria dos trabalhadores vai perceber que neste Novo Ano continuará a perder poder de compra devido à inflação crescente e por isso 2026 continuará a ser um ano de grandes desafios para o mundo do trabalho.
Será, mais uma vez, de intensa luta em defesa dos direitos e das condições de trabalho dignas, bem como contra o ataque aos direitos conquistados: a desvalorização dos salários, o agravamento da precariedade, o desinvestimento nos Serviços Públicos e a degradação das condições de vida dos trabalhadores.




